Embora não pareça, a Bahia já vive o clima de eleição desde 16 de agosto. São poucos dias ainda, claro, e seria precoce fazer qualquer afirmação sobre as próximas semanas. Uma coisa, no entanto, está dada como certa dentro das duas principais campanhas ao governo do Estado: a meta é fechar a conta no dia 4 de outubro.
Nos bastidores, tanto os aliados de Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador, como os de ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e candidato da oposição para o embate nas urnas, são diretos nas suas certezas de que ambos serão eleitos em primeiro turno.
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Óbvio, todos sabem que apenas um será eleito, até porque só existe uma cadeira de governador em jogo. O cenário de polarização, com a reedição da disputa política entre ‘Jero’ e ‘Neto’, sem a terceira via bolsonarista ‘João Roma’, agora aliado do segundo candidato, e sem qualquer Kleber Rosa para tirar o voto petista ideológico do atual gestor, reforça a tese e as expectativas de ambas as campanhas.
Sem Kleber, sem sustos
A tropa de choque da campanha de Jerônimo Rodrigues é clara ao falar sobre o clima de otimismo. Segundo eles, Ronaldo Mansur, escolha do Psol para o Palácio de Ondina, não empolgou, não empolga e não vai empolgar o eleitor em nenhum momento da campanha.
E, à primeira vista, é o que realmente parece. Enquanto Kleber Rosa foi capaz de ‘tirar’ a vitória de Jerônimo no primeiro turno em 2022, a ponto de fazer com que os petistas fossem até eles para fechar uma aliança no segundo turno, o atual candidato passa longe de apresentar o mesmo risco.
O desempenho aquém quando exposto, como nas entrevistas, debates e sabatinas, tem feito com que os petistas não fiquem com medo de sua influência na campanha.
O voto boca miúda
Já do lado de ACM Neto, derrotado em 2022, há uma aposta específica por parte de alguns de seus aliados: os pedidos de votos de ‘boca miúda’ das lideranças do interior. Nos primeiros dias, pelo menos, assim tem sido, o que tem animado a cúpula da oposição.
Para eles, se ‘Fulano’ pedir para ‘Beltrano’ e Beltrano pedir para ‘Sicrano’, a corrente vai fazer com que Neto fura a tão falada barreira dos ‘grotões’ da Bahia.
Além disso, a soma dos votos em massa nas grandes cidades com os pequenos municípios, onde a oposição admite não ter chegado como era necessário em 2022, é o trunfo para a tão sonhada vitória ainda no primeiro turno.
Otimismo demais faz bem
A questão é mais simples do que parece. Otimismo demais faz bem, e é por isso que as duas principais campanhas no estado falam nos bastidores, claro, que é conversa de resolver sem segundo turno, sem aqueles 49% que incomodam e deixam a sensação de “se tivesse feito mais um pouco”.
O ponto certo para esquentar a campanha
Dos dois lados, a estratégia para que essa expectativa se cumpra é a mesma: apostar tudo nas três últimas semanas de campanha nas ruas, nas inserções de TV e nas redes sociais.
Se a primeira semana foi escancaradamente fria, os últimos 15 dias serão usados como armas de guerra. Isso vale para Jerônimo e Neto.
O entendimento, que é correto, é de que o eleitor, de fato, só decide o voto aos 45 do segundo tempo, quando as ruas estão tomadas por santinhos e adesivos com seus respectivos números, como de costume.
Claro, tanto as apostas das campanhas, sempre otimistas, como as previsões narradas no texto acima, sem qualquer bola de cristal, podem não se cumprir. Até o momento, pelo menos, a tendência é de que a eleição na Bahia, como quase sempre, seja um ‘samba de uma nota só’.