As eleições de 2026 são decisivas para a oposição em Camaçari e para o futuro da cidade em 2028. Essa não é apenas uma disputa por cadeiras na Assembleia ou na Câmara Federal — é o momento de alinhar estratégias, fortalecer lideranças e construir um projeto político sólido para retomar o comando da cidade, que hoje sofre com o abandono da atual gestão. Neste cenário, a candidatura de Elinaldo a deputado estadual representa a principal tarefa do grupo oposicionista. Ela tem lastro, apoio estadual, histórico eleitoral e viabilidade. Mais do que um projeto pessoal, é um projeto coletivo com foco em 2028.
No entanto, o lançamento da pré-candidatura de Flávio Matos a deputado federal vem colocando essa estratégia em risco. Ao invés de somar, sua candidatura divide. Ao invés de fortalecer o grupo, enfraquece as chances reais da oposição. E ao invés de se alinhar com os líderes que o projetaram, opta por um caminho isolado, que beneficia apenas o PT e seus aliados.
A falsa justificativa do “enfrentamento a Ivoneide”
Uma das justificativas usadas por Flávio para sua candidatura é o suposto objetivo de “enfrentar Ivoneide Caetano”, que tentará a reeleição para a Câmara Federal. Mas essa tese não resiste à realidade dos fatos. Em 2014, Elinaldo foi candidato a deputado estadual, Caetano a federal, e dois anos depois, Elinaldo venceu Caetano nas urnas municipais, se tornando prefeito de Camaçari. Ou seja, a disputa federal não é o que define o sucesso ou fracasso na eleição municipal seguinte.
O que define 2028 é trabalho entre eleições, construção de base, articulação política, narrativa consistente e confiança popular. E isso o grupo já tem, liderado por Elinaldo, que carrega uma trajetória de dois mandatos como prefeito, uma votação expressiva em 2014 e uma liderança legítima na oposição local.
Flávio e o erro de cálculo contra o próprio grupo
Não é novidade que a candidatura de Flávio não surgiu de uma construção coletiva, mas sim de um cálculo individual. O mesmo grupo que o fez presidente da Câmara Municipal, que apostou no seu nome como renovação, hoje vê sua decisão como um movimento de rompimento com o projeto maior. Elinaldo teve que atuar pessoalmente para convencer aliados de que Flávio seria o nome para representar a continuidade do grupo, vencendo resistências internas. Agora, Flávio opta por uma candidatura que coloca em risco toda essa construção.
Cada voto que Flávio conquistar em Camaçari para deputado federal retira votos de Paulo Azi e Manoel Rocha, ambos nomes do grupo e parte da estratégia da oposição estadual. Caso Flávio ultrapasse esses nomes em Camaçari, na prática estará derrotando o grupo que o acolheu, que o formou e lhe deu régua e compasso.
João Roma e Flávio: Caminhos opostos ao projeto coletivo
A trajetória de João Roma é outro exemplo. Roma foi eleito deputado federal com o apoio de ACM Neto. Em certo momento, se afastou do grupo, assumindo um cargo no governo Bolsonaro e lançando candidatura própria ao governo da Bahia — o que, à época, fragilizou a oposição e dividiu o campo adversário ao PT. Hoje, Roma tenta reaproximação com ACM Neto, reconhecendo que a divisão não levou a lugar algum e apenas favoreceu os adversários.
Flávio, por sua vez, parece repetir os mesmos erros cometidos por Roma no passado. A diferença é que faz isso agora, no momento em que a oposição se organiza e caminha unida para vencer.
O mandato estadual de Elinaldo: a prioridade estratégica
A eleição de Elinaldo como deputado estadual é a peça central dessa engrenagem política. Com seu mandato, a oposição ganha:
Um nome forte na Assembleia Legislativa para lutar por Camaçari;
Mais musculatura política para apoiar os 12 vereadores de oposição;
Um ponto de articulação com lideranças estaduais e nacionais;
Um porta-voz legítimo da oposição local.
Além disso, essa candidatura nasce de um pedido de ACM Neto e do presidente estadual do União Brasil, Paulo Azi, que veem em Elinaldo o nome natural para unificar e fortalecer a oposição em uma cidade estratégica como Camaçari.
A matemática não fecha para Flávio
Para se eleger deputado federal pelo PL, Flávio precisaria conquistar aproximadamente entre 80 e 100 mil votos, a depender da votação geral do partido e da formação da chapa. Isso exigiria uma estrutura estadual e apoio regional que ele não construiu. Até aqui, seu nome não ultrapassou os muros de Camaçari, e sem base em outros municípios, a candidatura tem altíssimo risco de fracasso.
Enquanto isso, prejudica candidaturas sólidas do grupo, como as de Paulo Azi e Manoel Rocha, que já têm bases espalhadas pela Bahia e precisam dos votos de Camaçari para alcançarem suas metas. O que deveria ser uma eleição para fortalecer o time, virou uma ameaça interna.
Conclusão: Dividir não é estratégia — é erro
A oposição tem um caminho claro e viável: eleger Elinaldo deputado estadual, manter a união dos 12 vereadores, garantir palanque forte para os candidatos estaduais e federais da oposição e chegar em 2028 com musculatura para vencer o PT mais uma vez.
Dividir agora é repetir os erros do passado. E mais que isso: é abrir espaço para o PT continuar governando uma cidade que tem potencial para muito mais.
Flávio precisa refletir: sua candidatura serve ao grupo ou apenas a si mesmo? A resposta, infelizmente, já está nas ruas.