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Debate sobre o 2 de Julho ganha força após historiadora contestar protagonismo de Cachoeira e apagamento histórico de Santo Amaro

A construção da memória sobre a Independência da Bahia voltou ao centro do debate nas redes sociais após uma publicação da historiadora e influenciadora digital Ilmara Cecília. Ela questiona a forma como o protagonismo histórico do município de Santo Amaro é tratado nas narrativas sobre o 2 de Julho.

Segundo a historiadora, a narrativa predominante acaba concentrando o reconhecimento em Cachoeira, deixando em segundo plano acontecimentos que, na avaliação dela, marcaram o início do movimento pela Independência da Bahia.

Santo Amaro no centro da discussão

Na publicação, Ilmara Cecília sustenta que um dos marcos iniciais do processo ocorreu em Santo Amaro, com a Ata de Vereação de 14 de junho de 1822, documento considerado por pesquisadores como um dos primeiros atos oficiais de ruptura política com a Coroa Portuguesa no Recôncavo Baiano.

Ao comentar o tema, a historiadora criticou o que considera um apagamento histórico do município.

“Eu fico retada, como as verdades históricas são varridas para debaixo do tapete por conveniência, porque existia uma conveniência política para Cachoeira levar todo esse mérito que levou.”

Narrativa histórica em discussão

A manifestação reacende uma discussão sobre o papel desempenhado por diferentes cidades do Recôncavo durante o processo que culminou na consolidação da Independência da Bahia, celebrada em 2 de Julho de 1823.

Embora Cachoeira seja tradicionalmente reconhecida por sua relevância histórica, especialmente pela instalação do governo provisório e pela resistência às tropas portuguesas, Ilmara lembra que Santo Amaro também exerceu protagonismo desde os primeiros movimentos políticos e, por isso, deveria ocupar espaço mais destacado nas narrativas históricas e na cobertura jornalística sobre o tema.

A historiadora afirma ainda que o “esquecimento” do dia 14 de junho se deu por questões políticas. “Dom Pedro I tinha Santo Amaro como a cidade mais importante para o desenvolvimento do país, era daqui que era escoado tudo. Só que a história da gente está se apagando. Tudo isso começou a acontecer porque Jaques Wagner (então governador) e o prefeito da época, João Melo, não eram do mesmo partido. Wagner interrompeu toda comemoração de 14 de junho daqui e fez, em 25 de junho, Cachoeira como a capital da Bahia.

Dado histórico

No dia 14 de junho de 1822, na Câmara de Vereadores, foi escrita a Ata de Vereação que conferiu legitimidade ao movimento pela Independência do Brasil. Com pioneirismo, Santo Amaro destacou-se como a primeira cidade a se posicionar firmemente em defesa de um Brasil livre da dominação colonial.

Além de pedir a emancipação do Brasil, a Ata pedia a implantação de um centro único de Poder Executivo, a abertura dos portos e a criação de um Tribunal Supremo de Justiça.

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