A miopia infantil tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas em saúde ocular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, aproximadamente metade da população mundial poderá ter miopia, o equivalente a cerca de 4,7 bilhões de pessoas.
Entre esse grupo, quase 1 bilhão poderá apresentar alta miopia, acima de 5 graus. A condição aumenta o risco de problemas oculares mais graves, como descolamento de retina, glaucoma e catarata, podendo comprometer a visão.
O cenário chama ainda mais atenção porque o problema tem aparecido cada vez mais cedo. Na infância, quanto mais precocemente a miopia se manifesta, maior pode ser a possibilidade de progressão para graus elevados.
Por que a miopia está aumentando entre crianças?
A miopia faz com que objetos próximos sejam vistos com nitidez, enquanto elementos mais distantes ficam embaçados. Isso acontece quando o formato do olho faz com que a imagem seja formada antes de chegar à retina.
A genética é um dos fatores relacionados ao desenvolvimento da condição, mas os hábitos da vida moderna também podem contribuir para o aumento dos casos entre crianças e adolescentes.
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Segundo a oftalmologista Patrícia Kakizaki, consultora da ZEISS Vision Brasil, o excesso de tempo diante de telas e a pouca exposição a ambientes externos estão entre os fatores que merecem atenção.
A especialista explica que a exposição à luz natural está relacionada à produção de dopamina na retina, substância que participa da regulação do crescimento do olho.
Além disso, passar longos períodos realizando atividades de perto exige esforço contínuo do sistema visual. Em ambientes externos, a criança tende a alternar mais frequentemente a distância do olhar, incluindo momentos em que observa objetos longe.
Como a miopia pode afetar a criança?
A dificuldade para enxergar à distância não afeta somente a visão. Uma criança que não identifica adequadamente o que está escrito no quadro, por exemplo, pode enfrentar dificuldades no ambiente escolar.
A condição também pode interferir na prática de esportes e na socialização. Em alguns casos, as dificuldades para acompanhar atividades ou enxergar objetos podem contribuir para situações de constrangimento e até bullying.
Por isso, a identificação precoce da miopia é importante para acompanhar a evolução do grau e preservar a saúde ocular.
5 brincadeiras ao ar livre que estimulam o uso da visão
A recomendação de aumentar o tempo em ambientes externos não precisa significar criar uma rotina complicada. Atividades simples podem incentivar as crianças a passar mais tempo longe das telas.
1. Jogar bola
Futebol, vôlei e queimada fazem a criança acompanhar objetos em movimento e alternar o olhar entre diferentes distâncias. Além disso, são atividades que estimulam coordenação motora e percepção espacial.
2. Andar de bicicleta
Durante um passeio de bicicleta, a criança precisa observar o caminho e manter a atenção no ambiente ao redor. A atividade também estimula o olhar para distâncias maiores.
3. Correr no parque
Brincadeiras de corrida permitem que a criança observe continuamente diferentes pontos do ambiente. O exercício também contribui para coordenação e movimentação corporal.
4. Observar o céu
Procurar formatos nas nuvens, identificar aviões ou observar pássaros são formas simples de incentivar o olhar para longe. A atividade também pode ser transformada em uma brincadeira entre pais e filhos.
5. Brincar na praia
O horizonte aberto proporciona uma oportunidade para a criança direcionar a visão para distâncias maiores. A atividade combina ainda exposição ao ambiente externo e movimento.
Quanto tempo a criança deve ficar ao ar livre?
De acordo com Patrícia Kakizaki, o ideal é que as crianças tenham pelo menos 120 minutos de atividades ao ar livre por dia. A especialista também destaca a importância de estabelecer limites para o uso de dispositivos digitais durante a infância.
Segundo a recomendação citada pela oftalmologista, crianças de até 2 anos não devem ser expostas a dispositivos digitais. Entre 2 e 5 anos, o limite indicado é de até 1 hora por dia. Para crianças de 6 a 10 anos, a orientação mencionada é de até 2 horas, enquanto adolescentes de 11 a 18 anos teriam como referência até 3 horas diárias.
Crianças míopes precisam de acompanhamento
As atividades ao ar livre podem fazer parte dos cuidados com a saúde ocular, mas não substituem a avaliação oftalmológica.
Crianças que já apresentam miopia precisam acompanhar regularmente a evolução do grau e receber orientação individualizada sobre as formas de correção e controle da condição.
Existem também tecnologias específicas de lentes voltadas ao público infantil e ao controle da progressão da miopia. Entre elas estão as ZEISS SmartLife Young, citadas pela especialista, desenvolvidas considerando características anatômicas e mudanças que ocorrem durante o crescimento.
Para além das lentes e dos exames, a rotina também pode contribuir para a saúde visual: mais tempo ao ar livre, menos períodos prolongados diante de telas e acompanhamento oftalmológico são medidas que ajudam a cuidar dos olhos durante a infância.