O julgamento da confusão ocorrida após o segundo gol do Bahia no clássico contra o Esporte Clube Vitória, pela 24ª rodada do Brasileirão, foi marcado por um momento inusitado. Um áudio falso do VAR foi exibido na sessão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), nesta quinta-feira, 27.
O conteúdo foi compartilhado por uma página de humor na rede social Instagram, que faz paródias do Árbitro de Vídeo da CBF. O áudio fake seria utilizado como prova na situação envolvendo a comemoração do volante Jean Lucas, do Bahia, e o zagueiro Cacá, do Vitória, que tentou rasgar a camisa do rival.
“Não é pra rasgar, ok? Respeita o manto. Vai pra lá”, diz trecho do áudio falso. Em um caso anterior no STJD, a defesa do zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, utilizou outro conteúdo falso reproduzido pela mesma página de paródias. Dessa vez, no entanto, o material humorístico foi usado pela própria Procuradoria na denúncia.
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Advogado do Vitória reconhece paródia
Assim que o conteúdo foi reproduzido, o advogado do Vitória, Matheus Moreira Saleão, sinalizou: “Presidente, pela ordem. Apenas fazer um questionamento quanto à prova apresentada pela procuradoria. Tenho quase certeza que essa página é a mesma que foi envolvida no caso de áudio de VAR fake. Se não me engano, são um perfil de paródia”.
Embora estivesse presente na sessão, o procurador Roberto Maldonado não foi o responsável por incluir o link da página de humor nos autos, mas admitiu que houve um equívoco e pediu para que a prova fosse desconsiderada. A denúncia foi assinada pela procuradora Ana Julia Piacente.
“Observando o vídeo aqui, me surgiu essa dúvida também. Tem outro vídeo também. O que eu pedi para exibir foi o vídeo só do lance do atleta mostrando a camisa, mostrando a reação de outros atletas. Esse aí devia estar na denúncia, mas eu não tinha verificado esse vídeo. Então acredito, até para desconsiderar esse vídeo”, disse Maldonado.
Resultado da sessão
Cacá e Marinho, do Vitória, foram punidos em decorrência da confusão na reta final do BaVi, enquanto Jean Lucas, do Bahia, foi absolvido pelo STJD nesta quinta-feira, 27. O caso teve origem na polêmica causada pela comemoração do jogador do Esquadrão.
O zagueiro e o atacante do Leão da Barra foram julgados com base no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva.

Após a análise dos fatos, o órgão puniu Marinho com um jogo de suspensão, mas que foi convertido em advertência. Assim, ele segue à disposição para a sequência da temporada. Já Cacá teve a maior punição e foi sancionado com duas partidas de suspensão.