O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que reúne investigações sobre a rede de pagamentos atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão ocorreu após uma determinação do presidente da Corte, Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente à divulgação do conteúdo que permanecia sob segredo judicial.
A retirada do sigilo acontece na véspera de um julgamento importante no STF, marcado para esta terça-feira (15). A saber, o julgamento deverá analisar a abertura ou não de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Caso envolve 54 linhas de investigação
Com a decisão, foram tornadas públicas 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias que teriam sido praticadas por Vorcaro.
O processo ganhou ainda mais repercussão após a Polícia Federal apresentar um relatório com 52 mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e Moraes. O conteúdo foi recuperado do celular do ex-banqueiro, preso preventivamente em novembro de 2025.
De acordo com os investigadores, em uma das conversas, Vorcaro teria encaminhado a Moraes informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Ademais, em outra mensagem, o empresário teria buscado informações relacionadas à operação da PF que resultou em sua prisão. As respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas.
Divulgação amplia crise dentro do STF
O relatório da PF veio a público no início de setembro, após Mendonça retirar o sigilo de parte do material. A medida provocou um forte embate entre integrantes do Supremo.
A PGR chegou a pedir a anulação do relatório, alegando irregularidades na forma como a investigação avançou. Para o órgão, Mendonça não poderia ter autorizado medidas envolvendo um ministro do STF sem comunicar previamente o plenário.
Moraes reagiu apresentando um documento classificado como “relatório de inteligência”, no qual a PF apontaria um suposto direcionamento da investigação do caso Master por Mendonça com o objetivo de atingir adversários políticos.
O material, porém, não possui assinatura nem identificação oficial da corporação e traz a indicação de que foi elaborado como uma conjectura, sem valor probatório.
Desse modo, diante do conflito, Moraes pediu a Fachin que fosse aberta uma investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A saber, o pedido será analisado pelo STF em 23 de setembro.