Os professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) aprovaram a paralisação das atividades acadêmicas por 24h nesta quarta-feira (20), nos 27 campi da universidade distribuídos pela Bahia. O protesto visa denunciar a falta de acordo com o governo estadual que segue há quase dez meses, em relação às reivindicações da categoria.
A paralisação foi deliberada, por unanimidade, na assembleia híbrida da Associação dos Docentes da Uneb (Aduneb), realizada em Salvador, na última senana. Em suas respectivas assembleias, docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), bem como a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) também aprovaram a paralisação na mesma data.
Detalhes do protesto
De acordo com a deliberação da assembleia da Aduneb, os atos de protesto serão locais e a expectativa é que ocorram em várias regiões da Bahia.
No campus da Uneb em Salvador, localizado no Cabula, às 7h30, acontecerá uma mobilização denominada “Café da Manhã com o Governador”. No local, além dos lanches servidos na entrada da universidade, os servidores deixarão uma cadeira que, segundo a nota, ficará reservada para o governador Jerônimo Rodrigues.
Logo após, ainda como ação de mobilização, acontecerão panfletagens e atividades artísticas com mensagens de protesto. Serão músicas, poesias, bem como outras manifestações artísticas de resistência em favor da educação pública superior e pela garantia das leis que regem o Estatuto do Magistério Público das Universidades do Estado da Bahia.
Reivindicações
A Coordenadora Geral da Aduneb, Karina Sales, explica que a última reunião aconteceu em 29 de julho de 2025.
“Há quase dez meses buscamos a negociação. Temos direitos trabalhistas garantidos em lei que estão sendo desrespeitados, a exemplo dos adicionais de insalubridade. É importante lembrar que o governador, que agora vira as costas às universidades estaduais, é professor da Uefs. Esse desrespeito com os colegas é um absurdo!”, critica Karina.
Além disso, a pauta unificada de reivindicações foi protocolada junto ao Governo em dezembro de 2025 pelo Fórum das ADs, espaço de articulação política que reúne as seções sindicais dos docente.
Assim, entre os principais pontos estão:
- Regularização de adicionais de insalubridade e periculosidade;
- recomposição de direitos retirados nos últimos anos,
- exemplo dos anuênios;
- revogação da reforma da previdência estadual;
- requalificação do Planserv, com ampliação do investimento do governo;
- aumento do repasse orçamentário do Estado para, no mínimo, 7% da Receita Líquida de Impostos;
- cumprimento integral do orçamento aprovado.
Silêncio
Na tentativa de retomar as negociações, além de inúmeros telefonemas e protocolos nas secretarias de governo, o Fórum das ADs intensificou, nos últimos meses, a mobilização e as ações de comunicação. No interior, em pontos estratégicos de grande visibilidade, foram instalados outdoors denunciando os nove meses de silêncio do governo.
Assim, em Salvador, por meio de busdoors, ônibus circulam por toda a cidade com a mesma mensagem de protesto.