O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, realizado neste domingo, 8, foi marcado por questões interpretativas, abordagens interdisciplinares e forte presença de temas sociais. Marcos Ragazzi, diretor executivo das Unidades Escolares do Bernoulli Educação, faz um balanço da prova, destacando os principais aspectos das áreas de Linguagens e Ciências Humanas, além dos desafios apresentados pelo tema da redação.
“Em comparação com o Enem 2025, a edição de 2026 apresentou uma prova bastante interpretativa, exigindo dos estudantes boa capacidade de leitura e domínio dos conteúdos. A interpretação foi fundamental, mas o conhecimento fez a diferença na identificação das respostas, especialmente em questões com alternativas muito semelhantes. Além de avaliar o aprendizado, o Enem exige agilidade e boa gestão do tempo, já que são 90 questões e uma redação para serem resolvidas em 5 horas e 30 minutos.
O tema da redação foi acessível, mas exigiu atenção ao recorte proposto. O estudante que se concentrasse apenas nas dificuldades e nos desafios do SUS, sem abordar sua valorização como direito universal, corria o risco de desenvolver um texto genérico e se afastar da proposta. A palavra-chave para uma boa argumentação era justamente ‘valorização’.
Em Linguagens, a estrutura da prova foi mantida, mas as questões de literatura apresentaram maior profundidade, exigindo interpretação e conhecimento de elementos literários. As provas de inglês e espanhol seguiram o padrão dos anos anteriores, embora inglês tenha exigido um pouco mais de habilidade interpretativa.
Já em Ciências Humanas, a interdisciplinaridade foi uma característica marcante, com questões que articulavam conhecimentos de História, Geografia, Filosofia e Sociologia. Também chamou a atenção a presença de blocos de cinco questões baseadas em um mesmo texto, formato observado tanto em Linguagens quanto em Humanas.
Em Geografia, houve maior ênfase na geografia humana e em questões geopolíticas, com menor presença de conteúdos de geografia física. A prova também explorou recursos visuais, como mapas e um gráfico do metrô de Londres. Em História, a distribuição dos conteúdos entre história do Brasil, história geral e diferentes períodos históricos foi equilibrada. A Sociologia, por sua vez, foi um dos grandes destaques da avaliação.
O primeiro dia do Enem tradicionalmente aborda questões sociais, mas, nesta edição, essa característica ganhou ainda mais força. A prova trouxe reflexões sobre grupos historicamente vulnerabilizados, como povos originários, mulheres e trabalhadores rurais, além de questões relacionadas à organização sindical. Para os estudantes bem preparados, com repertório sociocultural consistente e uma compreensão ampla da sociedade, essas abordagens não representaram dificuldades significativas.”