A decisão do governo dos Estados Unidos em taxar os produtos brasileiros em 25% levou preocupação ao senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL). O anúncio do governo Donald Trump aconteceu uma semana após o pré-candidato ao Palácio do Planalto se reunir com representantes do governo estadunidense.
Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro pediram, na reunião, que os EUA classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O pedido foi atendido dois dias depois.
Nesta segunda-feira (2), o governo de Donald Trump anunciou o tarifaço que atinge cerca de 21% das exportações que o país faz para o mercado norte-americano. Imediatamente, Flávio foi a público dizer que esta medida não foi um pedido seu.
O presidente Lula, adversário de Flávio na corrida eleitoral deste ano, responsabilizou os “filhos de Bolsonaro” pela medida drástica dos EUA contra o Brasil.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele [o pai], e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disparou Lula
Como reação, Flávio Bolsonaro anunciou nas redes sociais que enviou um ofício ao secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, a quem pede que o governo estadunidense não imponha tarifas contra o Brasil. A medida ainda não entrou em vigor, mas há uma janela de aproximadamente 30 dias para que passe a valer.
O ofício
No documento endereçado ao auxiliar de Donald Trump, Flávio Bolsonaro agradece pela classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. No entanto, o pré-candidato demonstrou sua preocupação com os impactos negativos para sua imagem no que diz respeito ao anúncio da tarifa de 25% contra os produtos brasileiros vendidos para os EUA.
“A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, diz um trecho do ofício de Flávio.
Confira, a seguir, o documento completo:
Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil.