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Trump mira Pix para camuflar objetivos políticos, dizem especialistas

O Pix voltou a ser alvo, nesta terça-feira, 2, do governo de Donald Trump, sob a alegação de que o Brasil adota práticas comerciais “desleais” contra seu país, em detrimento de instituições financeiras norte-americanas.

Como consequência disso, os EUA estudam a possibilidade de imposição de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A palavra final está com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável por negociações de comércio exterior, que fará uma consulta pública antes da definição.

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No final de 2025, o governo estadunidense também havia imposto a medida ao Brasil, como parte da pressão comercial entre os principais parceiros e exportadores de produtos como café, carne bovina, laranja e cortes de madeira.

Outras preocupações

Apesar da aparente preocupação em proteger a economia norte-americana, a medida pode ter outra motivação. Especialistas ouvidos pelo portal A TARDE, concordam que Trump está buscando interferir politicamente no cenário interno brasileiro.

O tarifaço inicial de início de gestão, sim, era comercial, era toda aquela questão de tentar, segundo a visão do Trump, tornar os produtos nacionais mais baratos, a concorrência mais sadia, ainda era comercial mesmo que fosse dentro de uma visão completamente deturpada da economia global. No atual momento não, é 100% político essa decisão, com a intenção de enfraquecer a economia, enfraquecer a imagem do Lula

Daniele Cardoso Pinto economista e mestre em ciências políticas

Daniela destaca que a medida também foi uma tentativa de retomar o protagonismo das empresas de cartão de crédito que perderam espaço com o Pix. Ela lembra que as financeiras lucravam com tarifas, anuidades e outras taxas que não são cobradas pelo sistema brasileiro.

“O Pix é a forma mais usada em transações da economia brasileira. Isso afetou as ferramentas, não só as bandeiras de cartão de crédito, como Mastercard, Visa, e aquelas outras formas eletrônicas, que também cobram taxa e tem maquininha agora”.

“O mercado brasileiro, que é o principal mercado latino-americano, deixou de ser um grande consumidor financeiro dos Estados Unidos. Então, é um boicote comercial para ver se o Brasil volta a operar mais com o cartão de crédito. Mas não vai dar certo, porque retroceder, taxar ou acabar com o Pix, tecnicamente não é cabível de forma nenhuma, e segundo, em ano eleitoral, quem é o doido que vai fazer isso para perder a eleição?”, questionou a especialista

Para a professora de economia da Insper, Juliana Inhasz, a estratégia adotada pelo norte-americano busca tornar a economia americana mais competitiva em um cenário global cada vez mais acirrado.

Acho que tem sim uma questão de defender essas empresas do setor de pagamentos, mas eu acho que ela é pequena perto de um contexto de geopolítica muito mais evidente, porque o Pix se tornou um símbolo de um protagonismo diferente e eu acho que isso atrai atenção muito grande. Eu honestamente acho que tem uma motivação muito mais política, não política partidária, olhando para posicionamento da economia americana, eventualmente o fato de termos um método de pagamentos pouco concorrencial ou pouco competitivo que é o que eles tentam trazer como justificativa

Juliana Inhasz, professora de economia da Insper

Febraban se pronuncia

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou que o Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica.

Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

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A Febraban alerta ainda que “não há qualquer restrição à entrada de novos participantes, de qualquer porte ou segmento da indústria financeira, desde que operem no mercado nacional, já que é um sistema de pagamentos local e em reais, a moeda brasileira”.

A entidade afirmou que as avaliações da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) “resultam mais de informações incompletas acerca dos objetivos e funcionamento do Pix”.



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