Ao longo da história, mesmo nos conflitos mais brutais, sociedades tentaram estabelecer limites éticos da guerra, mas a violência desmedida agora saiu do controle. Depois do massacre na Palestina (Gaza), agora é a vez de a tecnologia do drone sacrificar civis, na Ucrânia e na Rússia, afrontando um mínimo de razoabilidade.
Uma análise dos números aponta para o flagrante perfeito dos crimes, devido ao uso indiscriminado de armas de longo alcance batendo o triste recorde de óbitos. Já passam de 16 mil mortes de civis com 50 mil feridos evidenciando o colapso de normas humanitárias arduamente firmadas em acordos multilaterais.
O recuo histórico alcança os péssimos exemplos de Gengis Khan, Pizarro, Hitler e Vlad III, o empalador, ampliada agora a maldade com os avanços das máquinas. Até para guerrear, a ética se faz necessária: a conduta bélica antes hegemônica ditava princípios como a distinção, viabilizando separar combatentes de civis.
Também se constituiu, por meio dos debates sobre as rusgas mais sangrentas, o critério de proporcionalidade, a fim de evitar danos excessivos. Quem comanda deve vigiar para seguir o valor moral do cuidado com as cidades, suas residências e praças, pois a precaução pode reduzir riscos à população.
Esta ética em contínuo desenvolvimento desde a primeira disputa de hordas por uma aconchegante caverna vem sofrendo revezes por falta de razão crítica. A pergunta não se resume a “qual arma vou utilizar?”, mas precisa ser ampliada para “a arma utilizada visa atingir a tropa em luta ou pode matar civis?”.
Os drones não se autodirigem – ainda – e mesmo que tenham capacidade para tal, precisam ter seus poderes dosados pelos oficiais para atingir seus fins militares. Já é um absurdo a humanidade banalizar este estado de beligerância, à proporção dos efeitos da insanidade de matar pessoas só porque são de outra nação. Tornar a guerra um tabu é uma bela utopia, mas enquanto não se conquista a paz, só o campo de batalha deve cheirar a morte.