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Muricy Ramalho pede demissão em meio a desgaste político no São Paulo

Muricy Ramalho não ocupa mais o cargo de coordenador técnico do São Paulo. A saída foi oficializada nesta sexta-feira (23/1), após o ex-treinador entrar em contato com o novo presidente do clube, Harry Massis, para comunicar sua decisão de deixar a função. De acordo com a apuração da ESPN, ele informou ao dirigente que não teria mais condições de manter o trabalho que exercia desde 2020, ano em que retornou ao clube pouco depois da eleição de Julio Casares para a presidência.

Nos dias que antecederam o anúncio, o ex-técnico já havia manifestado a pessoas próximas que não pretendia seguir no cargo. A avaliação interna era de que o desgaste acumulado ao longo dos últimos anos influenciou diretamente na decisão.

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Muricy RamalhoReprodução

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As instabilidades políticas enfrentadas recentemente pelo São Paulo também pesaram no processo. O cenário contribuiu para um sentimento de cansaço e frustração, que levou Muricy a optar pelo desligamento do clube com o qual tem forte identificação.

Em nota divulgada, o ex-coordenador explicou a relação histórica com o clube e os motivos que o levaram a deixar a função. “Dizem que a nossa casa é onde o coração está. Se isso é verdade, eu nunca saí deste lugar desde o dia em que atravessei os portões do clube pela primeira vez, ainda um menino cheio de sonhos”, afirmou.

Muricy destacou que sua trajetória profissional foi construída integralmente no São Paulo, tanto dentro quanto fora de campo. “Aqui eu nasci, cresci, vivi e envelheci”, escreveu, ao relembrar as diferentes funções que exerceu ao longo dos anos.

Segundo ele, o trabalho mais recente como coordenador técnico exigia dedicação integral e intensa. “Nos últimos anos, tive o prazer de estar em uma outra função: como Coordenador Técnico. Tivemos melhorias, conquistas inéditas, muitas emoções e muito trabalho”, registrou.

O ex-treinador também mencionou que o padrão de entrega sempre marcou sua atuação no clube. “Quem me viu como jogador ou técnico sabe: não sei fazer nada pela metade, não sei ser mais ou menos. Ou eu me entrego ou não serve”, afirmou.

A decisão de deixar o cargo, de acordo com a nota, está diretamente relacionada à saúde e aos limites físicos. “É justamente por amar demais este clube e por respeitar minha essência que eu decidi sair. O corpo tem os seus limites e o meu pediu uma trégua”, explicou.

Muricy detalhou ainda o histórico recente de procedimentos médicos. “Passei por quatro cirurgias do final do ano pra cá e ainda tenho outra programada para fazer em 2026”, informou, ao justificar a impossibilidade de manter a rotina exigida pela função.

Ele afirmou que não considerava adequado seguir no cargo sem conseguir oferecer dedicação total. “A intensidade que o cargo exige e que a grandeza deste clube merece é incompatível com o que posso oferecer neste momento”, escreveu.

Ao encerrar a nota, Muricy destacou que seguirá acompanhando o São Paulo como torcedor. “Seguirei como mais um torcedor, no MorumBIS ou fora dele, com a gratidão de quem teve a honra de viver esse sonho por completo”, concluiu, antes de se despedir com a frase: “Obrigado por tudo, São Paulo Futebol Clube”.

O contrato de Muricy Ramalho com o São Paulo tinha validade até o fim de 2026, mas a saída foi antecipada diante do contexto atual e da decisão pessoal do ex-coordenador.

Ídolo histórico do Tricolor, Muricy Ramalho retornou ao São Paulo em 2020 para atuar na coordenação técnica, função voltada ao suporte do futebol profissional e à integração entre diretoria, comissão técnica e elenco. Com a saída, o clube ainda não informou se haverá reposição imediata para o cargo.

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