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Miastenia: entenda o diagnóstico de Alex Escobar e a importância da cirurgia no tratamento


Para entender o diagnóstico de Miastenia Gravis do jornalista e o tratamento, o portal LeoDias conversou com o neurocirurgião Dr. Ricardo Graciano

O apresentador da Globo Alex Escobar, de 51 anos, passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no timo, glândula localizada no mediastino e responsável por desempenhar um importante papel no sistema imunológico. O procedimento faz parte do tratamento da miastenia gravis, doença autoimune diagnosticada recentemente no jornalista e que, inclusive, reduziu sua participação na cobertura da Copa do Mundo de Clubes. Mas, afinal, o que é a miastenia gravis e qual é a relação com um tumor no timo? Para entender o diagnóstico do jornalista e o tratamento, o portal LeoDias conversou com o neurocirurgião Dr. Ricardo Graciano.

De acordo com o especialista, a miastenia gravis é uma doença autoimune que interfere na comunicação entre os nervos e os músculos, causando fraqueza muscular progressiva ao longo do dia.

“A miastenia gravis é uma doença autoimune que compromete a comunicação entre os nervos e os músculos, provocando fraqueza muscular que piora com o esforço e melhora com o repouso. Os primeiros sintomas costumam ser a queda de uma ou das duas pálpebras (ptose), visão dupla, dificuldade para mastigar, engolir ou falar, além de cansaço excessivo nos braços e nas pernas ao longo do dia. Em casos mais avançados, a doença pode afetar a musculatura respiratória, tornando-se uma emergência médica”, explicou o especialista, Dr. Ricardo Graciano.

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Alex Escobar na festa de aniversário de 60 anos da TV Globo.Globo/ Leo Rosario

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Jornalista Alex EscobarReprodução: Instagram/@alexescobar74


Embora nem todos os pacientes desenvolvam um tumor, a glândula tem papel central na doença. Segundo Dr. Ricardo Graciano, entre 10% e 15% das pessoas com miastenia gravis apresentam um timoma, enquanto muitas outras têm alterações benignas no órgão.

“O timo desempenha um papel importante no funcionamento do sistema imunológico e está diretamente relacionado à miastenia gravis. Cerca de 10% a 15% dos pacientes apresentam um timoma, que é um tumor originado nessa glândula. Além disso, muitos outros pacientes apresentam alterações benignas do timo, como hiperplasia. Por esse motivo, todo paciente com diagnóstico de miastenia gravis deve realizar exames de imagem do tórax, geralmente tomografia computadorizada, para avaliar a presença de alterações no timo e definir a melhor estratégia de tratamento”, contou.

Mesmo quando o timoma não apresenta características malignas, a cirurgia continua sendo a principal recomendação médica.

“Mesmo quando o timoma apresenta características benignas, a cirurgia é o tratamento recomendado. Isso ocorre porque existe o risco de crescimento local, invasão de estruturas vizinhas e, em alguns casos, transformação para formas mais agressivas. Além disso, a retirada completa do timo reduz o estímulo imunológico envolvido na miastenia gravis, favorecendo um melhor controle da doença, diminuindo a necessidade de medicamentos imunossupressores e reduzindo o risco de complicações futuras”, esclareceu o neurocirurgião.

Cirurgia pode levar à remissão da doença

Segundo o neurocirurgião, diversos estudos científicos demonstram que a retirada do timo pode proporcionar melhora importante dos sintomas e, em parte dos pacientes, até remissão clínica da doença.

“Sim. Diversos estudos demonstram que a timectomia pode proporcionar melhora significativa da miastenia gravis e, em parte dos pacientes, levar à remissão clínica, especialmente quando realizada em pessoas com miastenia generalizada e anticorpos contra o receptor de acetilcolina. Os benefícios costumam aparecer de forma gradual e podem continuar evoluindo ao longo dos anos. A cirurgia também está associada à redução da necessidade de corticosteroides e outros imunossupressores, além de menor frequência de crises miastênicas.”

Hoje, sempre que possível, o procedimento é realizado por técnicas minimamente invasivas, que permitem uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

“Atualmente, sempre que possível, a timectomia é realizada por técnicas minimamente invasivas, como a videotoracoscopia (VATS) ou a cirurgia robótica. Esses métodos utilizam pequenas incisões, permitindo excelente visualização do mediastino com menor agressão cirúrgica. Entre as principais vantagens estão menor dor no pós-operatório, menor perda sanguínea, recuperação mais rápida, menor tempo de internação, melhores resultados estéticos e retorno mais precoce às atividades habituais. Casos mais complexos ou tumores extensos ainda podem exigir cirurgia aberta.”

Quais são os riscos?

Embora seja considerada uma cirurgia segura, pacientes com miastenia gravis exigem cuidados específicos, principalmente por causa do risco de comprometimento da musculatura respiratória no pós-operatório.

“Como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos de sangramento, infecção e complicações anestésicas. Nos pacientes com miastenia gravis, a principal preocupação é a possibilidade de fraqueza respiratória no pós-operatório, conhecida como crise miastênica, que pode exigir suporte ventilatório temporário. Por isso, é fundamental que a doença esteja bem controlada antes da cirurgia, muitas vezes com ajuste medicamentoso e, em alguns casos, plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa. O acompanhamento conjunto entre neurologista, cirurgião e anestesiologista é essencial para reduzir riscos e garantir maior segurança.”

A melhora dos sintomas não costuma ser imediata. Conforme explica o especialista, os benefícios aparecem gradualmente e podem continuar evoluindo por até três anos após o procedimento.

“A melhora costuma ocorrer de forma gradual. Em muitos pacientes, observa-se inicialmente redução da fadiga muscular e melhora da força em atividades do dia a dia. Sintomas como ptose e visão dupla também podem apresentar evolução favorável. No entanto, a resposta à timectomia não é imediata. Alguns pacientes percebem melhora nos primeiros meses, enquanto outros apresentam benefícios progressivos ao longo de um a três anos. Esse tempo varia conforme a idade, a duração da doença antes da cirurgia, o tipo de miastenia e a resposta ao tratamento medicamentoso.”

Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, o tratamento medicamentoso pode continuar sendo necessário.

“Sim. A cirurgia faz parte do tratamento, mas não substitui necessariamente a terapia medicamentosa. Muitos pacientes continuam utilizando medicamentos como piridostigmina e imunossupressores durante um período, com redução gradual das doses conforme a evolução clínica. Em alguns casos, principalmente quando a doença é mais grave ou de longa duração, pode ser necessário manter o tratamento por tempo prolongado. A decisão é sempre individualizada e baseada na resposta clínica e no acompanhamento neurológico.”

A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue recuperar a qualidade de vida e retomar suas atividades.

“Na maioria dos casos, sim. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar, muitos pacientes conseguem retomar suas atividades profissionais, sociais e praticar exercícios físicos orientados. A recuperação depende de fatores como idade, tempo de evolução da doença, presença ou não de timoma, resposta aos medicamentos, realização da timectomia quando indicada e controle adequado da doença ao longo do tempo. O objetivo do tratamento é proporcionar qualidade de vida, independência e reduzir ao máximo as limitações impostas pela miastenia gravis.”

No caso de Alex Escobar, a cirurgia ocorreu com sucesso e o apresentador segue em recuperação.



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