Para alguns, Irmã Dulce surgiu em um sonho. Para outros, ela esteve presente nos momentos mais difíceis. Há quem diga ter recebido uma graça por sua intercessão e quem tenha transformado a própria vida a partir do trabalho que ela iniciou. Assim, a mulher que fez da caridade uma missão continua inspirando milhares de pessoas. Décadas após sua morte, Irmã Dulce permanece presente na vida de muitos, agora como santa e eterno Anjo Bom da Bahia.
Era noite quando a professora Vívia Teixeira, do Rio de Janeiro, teve um sonho com a santa que ainda hoje consegue descrever em detalhes. “Uma noite eu sonhei que eu estava em um corredor de um hospital, e ao meu lado tinha uma freira, vestida com tom azul, e ela amarrava uma fitinha do Bonfim na mão que eu fazia quimioterapia”, relembra.
Vívia acordou assustada. Não era apenas um sonho. Naquele momento, ela atravessava uma das fases mais difíceis da vida. O diagnóstico de câncer de mama havia chegado no início de 2020, justamente quando o mundo começava a enfrentar a pandemia. Vieram os exames, a quimioterapia, os medos e dois anos de tratamento.
“Eu acordei assustada porque foi um momento que eu estava revoltada, questionando tudo, a fé, o porquê do diagnóstico comigo.”
Naquela noite, o sono não voltou. “Liguei a TV, e o canal parou em uma reportagem de Santa Dulce. Ali eu entendi que algo sobrenatural estava acontecendo comigo. A partir dali foi pesquisar quem era a Santa Dulce.”
Foi assim, entre a angústia de um diagnóstico e a descoberta de uma história, que Vívia conheceu mais profundamente o Anjo Bom da Bahia.
A partir daquele momento, a presença de Irmã Dulce passou a fazer parte da rotina até a cura. Vieram as orações, os terços e a devoção. Em meio às incertezas provocadas pela doença, Vívia encontrou uma certeza na fé.
Como forma de agradecer a graça alcançada, ela passou a fazer uma viagem especial todos os anos: deixa o Rio de Janeiro e vem à Bahia para visitar o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, em Salvador.
Uma história que continua
A história de Irmã Dulce começou muito antes de ela se tornar conhecida como santa. Em 1933, ela recebeu o hábito de freira e, a partir daquele momento, iniciou uma trajetória religiosa marcada pelo cuidado com os mais pobres. Ao longo dos anos, Irmã Dulce ampliou esse trabalho e criou uma das maiores obras sociais do país.
O dia 13 de agosto, data em que Irmã Dulce recebeu o hábito religioso, é celebrado, anualmente, como o dia dedicado à santa. Por isso, em Salvador, a data é marcada por missas, homenagens e outras atividades que celebram a memória do Anjo Bom da Bahia.
Além disso, a lista de relatos de graças atribuídas à intercessão de Irmã Dulce é extensa. De acordo com os registros, quando foi canonizada pelo Vaticano, em 2019, mais de 10 mil relatos de possíveis milagres já haviam sido registrados pelas Obras Sociais Irmã Dulce.
“Ela fez milagre na vida da minha mãe”
Antes de trabalhar no hospital, Geni Almeida conheceu as Obras Sociais Irmã Dulce de outro lugar: como acompanhante da própria mãe, que era paciente da instituição. A mãe enfrentou meses de tratamento. O quadro se agravou, o rim parou de funcionar e veio uma infecção generalizada.
A família chegou a ouvir que não havia mais esperança. No entanto, a história teve outro desfecho. “Não tenho palavras para descrever o que é Irmã Dulce na minha vida. Eu tenho o maior prazer de dizer que trabalho no hospital de Irmã Dulce e que ela fez milagre na vida da minha mãe”.
Desde então, Geni continua trabalhando no local que um dia acolheu sua família. Há 19 anos, ela se dedica a cuidar de outras pessoas no mesmo lugar onde, um dia, viu a própria mãe receber cuidados. Agora, além de ajudar outras famílias, Geni também vê sua trajetória profissional ser reconhecida como destaque.

Legado
A celebração de Santa Dulce ganha, neste ano, uma programação especial no dia 13 de agosto, no Santuário Santa Dulce dos Pobres. Ao longo do dia, a agenda inclui Santo Terço, missas, um momento com o Padre Antônio Maria e, como destaque, a tradicional procissão solene e luminosa.
Logo pela manhã, as missas começam às 6h e seguem ao longo do dia. Além disso, haverá uma celebração também às 15h30, ampliando as oportunidades para os fiéis participarem das homenagens.
Sete anos após a canonização de Santa Dulce, o santuário também registra, cada vez mais, um aumento no número de devotos que chegam ao local. Assim, muitos aproveitam a ocasião para rezar, agradecer e renovar a fé.
“As pessoas vêm rezar porque reconhecem o seu legado, seu profundo amor ao próximo. E ela, agora diante de Deus, pode fazer muito mais do que fazia na Terra”, afirma Frei Ícaro Rocha, reitor do Santuário Santa Dulce dos Pobres.
Para além da programação religiosa, a presença dos devotos reforça que a história do Anjo Bom da Bahia continua viva , na fé, na caridade e nas vidas transformadas por seu legado.