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Festival de Jazz do Capão retorna com shows gratuitos e encontros inéditos

Nos próximos dias 18 e 19 de setembro, o Vale do Capão, na Chapada Diamantina, recebe a 13ª edição do Festival de Jazz do Capão (FJC). Com programação gratuita, o evento retorna ao Circo do Capão, em Palmeiras, a 440 quilômetros de Salvador, reunindo artistas de diferentes vertentes da cena musical brasileira.

A programação também valoriza a produção do território, com a ‘Mostra Capão’, e aproxima o festival da Universidade Federal da Bahia (Ufba), por meio da Mostra Ufba, que apresenta um projeto selecionado pela Escola de Música da universidade.

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O evento ainda promove dois workshops gratuitos no Coreto da Vila, nos dias 18 e 19, ampliando a experiência para além dos shows.

Nesta edição, a curadoria aposta nos encontros entre artistas de diferentes trajetórias e linguagens, com apresentações pensadas especialmente para o festival. Para o diretor artístico e idealizador do FJC, Rowney Scott, “vai ser o ano com certeza que vai ter mais desses encontros promovidos, fomentados, provocados pela curadoria”.

‘Mostra Ufba’

A diversidade e a abertura de espaço para novos talentos são marcas da curadoria do Festival de Jazz do Capão.

Segundo o diretor artístico Rowney Scott, uma das premissas do evento é não repetir atrações como artistas principais. “É uma grande novidade para o público e para os artistas”, afirma.

É nesse espírito de descoberta que a programação do dia 18 de setembro recebe a ‘Mostra Ufba’, que apresenta o baterista Victor Brasil.

Selecionado por meio de edital interno da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o músico fará seu primeiro show autoral no festival.

‘Mostra Ufba’, que apresenta o baterista Victor Brasil
‘Mostra Ufba’, que apresenta o baterista Victor Brasil – Foto: Sergio Clavin/Divulgação

Em outras edições, Victor participou do evento acompanhando artistas selecionados pelo edital, como Ângela Aveloso e Tito. Agora, pela primeira vez, retorna com um trabalho próprio.

“Pra mim é uma honra ter sido selecionado pela Escola de Música da Ufba. Mas, agora, com o meu trabalho, fico muito feliz e lisonjeado de ter passado no edital, ter sido escolhido”, afirma.

No palco, Victor será acompanhado por Davi Ribeiro, no trompete; Nino Bezerra, no baixo; e Jorge Solovera, na guitarra. A formação reúne parceiros de longa data e um novo encontro. “Eu gosto muito de tocar com o Nino, é um parceiro, a gente já toca muito, há muitos anos juntos”, conta.

Sobre Jorge, a quem chama de “irmão”, destaca a sintonia construída ao longo dos anos. Já Davi integra a banda pela primeira vez. “É uma honra pra mim ter eles comigo, pra gente poder contribuir juntos pra música”, afirma Victor.

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Atlântico Negro

Se Victor Brasil abre a programação da sexta-feira, Ilessi é quem encerra a noite do último dia do festival, no sábado (19), com o espetáculo Atlântico Negro. Cantora, compositora e pesquisadora musical, a artista carioca apresenta um trabalho que aproxima a canção brasileira da improvisação e da liberdade criativa.

Doutoranda em Música pela Unicamp e mestra em Música pelo Proemus – Unirio, Ilessi atualmente mora em Salvador e é professora de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em Santo Amaro.

A artista vê pesquisa e criação como dimensões inseparáveis. “Pra mim, cantar, compor, me comunicar, trocar, aprender e pesquisar, tudo é uma coisa só. O palco alimenta a pesquisa acadêmica e vice-versa”, afirma.

Em Atlântico Negro, o repertório reúne composições autorais, recriações de obras de importantes compositores brasileiros e cantos de tradição oral, transitando entre a música brasileira contemporânea e o jazz. No palco, Ilessi é acompanhada por Marcelo Galter, no piano e teclados, responsável pela direção musical e pelos arranjos; Ldson Galter, no contrabaixo; e Reinaldo Boaventura, na percussão.

Para a cantora, a relação com os três músicos é parte fundamental da construção do espetáculo. “Esse espetáculo não é possível sem eles. Minha voz não só se comunica com eles, mas se estrutura neles”, afirma.

A parceria, segundo Ilessi, também é marcada pela liberdade e pela escuta. “Nós ficamos muito tempo sem tocar e quando encontramos, é como se fosse a primeira vez”.

Ela destaca ainda a sintonia dos músicos com a proposta do trabalho. “É raro encontrar músicos com tanto amor, responsabilidade e respeito à música quanto eles. Esses três são músicos raros, dos maiores do mundo, além de terem profunda ligação com a música negra, logo, com um alto arrojo estético e com uma profunda liberdade”, afirma.

Novos encontros

Além de Victor Brasil e Ilessi, o Festival de Jazz do Capão reúne outros nomes da música brasileira e da cena instrumental baiana.

Na sexta-feira, 18, o Quarteto Emmbra apresenta repertório autoral, formado por Aline Gonçalves (clarinete e flauta), Louise Woolley (piano), Camila Rocha (contrabaixo) e Julia Rodrigues (bateria). O grupo nasceu do projeto Emmbra – Escritas Musicais de Mulheres Brasileiras, idealizado por Aline, que reúne partituras de compositoras brasileiras.

Na mesma noite, Tiago Nunes e Alana Gabriela apresentam Orí Mejí, trabalho que aproxima suas pesquisas e vivências na percussão, com composições autorais e releituras em diálogo com matrizes afro-brasileiras, música instrumental e criação contemporânea.

No sábado, 19, a ‘Mostra Capão’ reúne artistas do território, com Ari Vinícius Quinteto e Isa Flautaro. Ari leva ao palco composições de seu primeiro álbum, atualmente em fase de gravação, enquanto Isa apresenta um repertório que combina adaptações do álbum What’s Next, composições inéditas e obras de Gustavo Rocha, em trabalhos marcados pela flauta, experimentação e improvisação.

A programação do segundo dia também conta com Daniel Santiago Convida, encontro criado especialmente para o festival com Guto Wirtti, Bruno Aranha e Reinaldo Boaventura. O repertório reúne composições de Santiago e releituras de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso. Na sequência, Nilton Azevedo e Lucas Decliê apresentam um trabalho que reúne seus novos projetos autorais e a improvisação, acompanhados por Alexandre Vieira, Jordi Amorim e Beto Martins.

Para além dos shows, o festival promove dois workshops gratuitos no Coreto da Vila. No dia 18, Tiago Nunes e Alana Gabriela conduzem “UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres Leite”. No dia 19, integrantes do Quarteto Emmbra ministram “Mulheres compositoras”, com discussões sobre gênero e processos de composição.

Para Rowney Scott, a expectativa é que a experiência ultrapasse a apresentação musical e estimule uma escuta mais atenta. “O público pode levar consigo a possibilidade de desfrutar, de se abrir, de tentar entender e sentir a música dentro desses encontros, dentro dessa diversidade”, afirma. A proposta, segundo ele, é colocar a música e a arte no centro da experiência: “com mais silêncio, com mais atenção, botando a música, a arte no centro do picadeiro”.

Para mais informações sobre a programação do evento, acesse o site oficial www.festivaldejazzdocapao.com.br.

Serviço

  • Festival de Jazz do Capão (FJC)
  • Dias 18 e 19 (sexta-feira e sábado)
  • Coreto da Vila e Circo do Capão (Rua do Juca, s/n – Vale do Capão – Palmeiras, Chapada Diamantina)
  • Gratuito

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



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