Eis um bom motivo para vibrar e sair pulando e abraçando quem aparecer pela frente, como se faz no futebol: o Brasil saiu da última divisão em vacina infantil. A virada no placar foi de goleada. Em 2023, cerca de 360 mil crianças brasileiras estavam completamente desprotegidas contra doenças graves; hoje, são 50 mil.
O País deixou a triste condição de rebaixado, pois já não integra a lista das 20 nações com maior número de crianças “zero dose” – triste efeito negacionista. “Zero-dose” é como se costuma referir, à guisa de adjetivo, quem não tem sequer um registro no ciclo de imunização para enfermidades graves evitáveis.
Assim como o Mapa da Fome, do qual escapou o Brasil; e a marca indelével de 700 mil mortos na pandemia, por omissão, a vacina fez da herança, esperança. Herança deletéria do bolsonarismo, época sombria quando o país sobreviveu sob ataque da negação à ciência, às leis e à mínima dignidade: o absurdo negacionismo.
Esperança refletida nos novos dados – confiáveis – da vacina infantil, números de recorde divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef. Foram anos de queda preocupante na cobertura, atribuída ao alcance intencional da internet para fins sediciosos, e o louvor à ignorância por seitas dizimistas.
O trabalho competente e comprometido do Ministério da Saúde surtiu o efeito emergencial e necessário. As armas utilizadas: comunicação massiva de difusão de conhecimento; personagem Zé Gotinha; investimento, distribuição e monitoramento das vacinas.
Além das campanhas de conscientização, a tática eficiente consistiu em vacinação nas escolas, ampliação do acesso aos imunizantes e busca ativa. O Programa Nacional de Imunizações, reconhecido internacionalmente, voltou a ser fortalecido por meio da associação entre União, estados e municípios. Esta é uma vitória dedicada à cidadania do Brasil – representada pela infância, deixando para o porvir, a mensagem definitiva: negacionismo, nunca mais!