Parte dos empresários que ajudaram a financiar a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência em 2022 não destinou recursos diretamente à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) quatro anos depois. Levantamento da Folha de S.Paulo mostra diferenças significativas entre os valores doados nas duas eleições.
Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu cerca de R$ 88 milhões em doações de pessoas físicas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na campanha atual, Flávio soma aproximadamente R$ 6,6 milhões em contribuições de pessoas físicas até o momento.
Um dos maiores doadores da eleição passada foi Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele destinou R$ 3 milhões à campanha de Jair em 2022, mas não aparece entre os financiadores da candidatura de Flávio em 2026. Zettel está preso no caso envolvendo o Banco Master.
Empresários mudaram destino das contribuições
Outro exemplo é Salim Mattar, fundador da Localiza e ex-secretário do Ministério da Economia. Ele contribuiu com R$ 1,8 milhão para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, mas não fez doação direta para Flávio neste ano. Segundo o levantamento, o empresário direcionou recursos a candidatos ao Legislativo.
Luciano Hang, proprietário da Havan e um dos empresários que declararam apoio a Jair Bolsonaro, também não aparece como doador de Flávio. Em 2022, Hang havia contribuído com R$ 1 milhão para a campanha presidencial e, em 2026, destinou recursos a candidatos aos cargos de deputado e senador.
A mesma situação se repete com nomes ligados a grandes grupos empresariais. Jorge Eduardo Beira, da família controladora da Ypê, havia doado R$ 750 mil a Jair. Já os irmãos Alexandre e Pedro Grendene Bartelle, ligados à Grendene e à Vulcabras, contribuíram com R$ 1 milhão cada para a campanha do ex-presidente e não aparecem entre os doadores de Flávio.
Produtores rurais também não repetiram contribuições
Entre os produtores rurais que haviam contribuído financeiramente para a candidatura de Jair Bolsonaro em 2022 estão Hugo de Carvalho Ribeiro, Oscar Luiz Cervi e Cornélio Adriano Sanders. Os três também não repetiram as doações diretamente para Flávio na atual disputa presidencial.
Os dados mostram, portanto, que parte dos empresários que haviam feito contribuições expressivas à campanha de Jair Bolsonaro em 2022 optou por não direcionar recursos diretamente ao filho do ex-presidente em 2026, enquanto alguns passaram a apoiar candidatos que disputam vagas no Legislativo.