A filha de Flávia Alessandra, Giulia Costa, de 25 anos, revelou recentemente o diagnóstico de dermatilomania, condição em que o paciente tem o impulso repetitivo de cutucar, apertar ou machucar a própria pele, causando feridas. Para entender melhor a doença, assim como a causa, tratamento e se tem cura, a reportagem do portal LeoDias conversou com especialistas.
Segundo a dermatologista Regina Buffman, a dermatilomania também chamada de transtorno de escoriação ou skin picking, não é “falta de controle” ou “mania boba”, é um transtorno reconhecido pela psiquiatria que possui importante repercussão na pele.
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Giulia CostaReprodução Instagram Giulia Costa

As atrizes Guilia Costa e Flávia AlessandraReprodução/Instagram/@giuliacosta

Flávia Alessandra e Giulia revelam planos para próxima foliaFoto/LeoDias TV

Giulia CostaReprodução Instagram Giulia Costa
A causa é multifatorial, podendo envolver: ansiedade e estresse; transtorno obsessivo-compulsivo (TOC); perfeccionismo ou necessidade de remover “imperfeições” e alterações neurobiológicas relacionadas ao controle de impulso. Muitas vezes, o comportamento piora em momentos de tensão emocional.
O tratamento costuma envolver: psicoterapia (principalmente terapia cognitivo-comportamental); técnicas para controle de impulso; em alguns casos, medicação prescrita por psiquiatra e orientação dermatológica para tratar as lesões e evitar cicatrizes. O acompanhamento multidisciplinar com psiquiatra, psicólogo e dermatologista costuma trazer melhores resultados.
A dermatilomania pode ser controlada de forma significativa com tratamento adequado. Algumas pessoas conseguem remissão completa e outras aprendem a manejar os impulsos e reduzem muito os episódios. O mais importante é buscar ajuda. Existe tratamento eficaz.
“Não é ‘frescura’, nem falta de força de vontade. Pode causar infecções e cicatrizes se não for tratada. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, melhor o prognóstico. Vergonha e culpa são comuns, mas o acolhimento é fundamental”, explicou a Dra..
Já a psiquiatra Jessica Martani comentou o caso da Giulia: “Como psiquiatra, é importante explicar que a dermatilomania, também conhecida como transtorno de escoriação, não tem relação com vaidade, falta de controle ou ‘mania passageira’, mas sim com um funcionamento específico do cérebro diante do estresse emocional”.
“No caso relatado por Giulia Costa, o gatilho descrito após uma viagem internacional faz bastante sentido do ponto de vista clínico, já que mudanças bruscas de rotina, cansaço físico, pressão social e exposição emocional costumam sobrecarregar o sistema nervoso. Em situações assim, o cérebro busca formas automáticas de aliviar a tensão interna, e a pele acaba se tornando um alvo porque o ato de coçar, cutucar ou machucar gera uma sensação momentânea de alívio ou controle, ainda que logo depois venha culpa, vergonha ou sofrimento”.
Segundo ela, trata-se de um comportamento compulsivo, ou seja, a pessoa reconhece que aquilo lhe faz mal, mas sente uma urgência difícil de conter. “A dermatilomania está frequentemente associada à ansiedade, perfeccionismo, hipervigilância emocional e altos níveis de cobrança interna, fatores comuns em pessoas que vivem sob pressão constante, seja profissional, familiar ou social”.
“É importante reforçar que esse transtorno não surge por fraqueza emocional e tampouco se resolve apenas com força de vontade. O tratamento envolve psicoterapia, especialmente abordagens que ajudam o paciente a identificar gatilhos emocionais e desenvolver outras formas de regulação do estresse, e, em alguns casos, o uso de medicação psiquiátrica para reduzir a impulsividade e a ansiedade de base”, prosseguiu.
No fim da entrevista, a especialista pontuou a importância de uma celebridade pautar o assunto: “Quando figuras públicas falam sobre esse tipo de diagnóstico, ajudam a quebrar o estigma e a mostrar que transtornos mentais não escolhem idade, status ou profissão, além de reforçar que buscar ajuda é um passo de autocuidado, não um sinal de fragilidade”.