O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer na madrugada desta quarta-feira, 22.
A sobretaxa foi anunciada pelo governo de Donald Trump na semana passada e deve afetar diretamente cerca de 2,4 mil empresas brasileiras, responsáveis por aproximadamente 18% das exportações do país destinadas ao mercado norte-americano.
Segundo estimativa da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse percentual corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações.
Entre os setores mais impactados estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Entenda o novo tarifaço
No último dia 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil.
O governo brasileiro, no entanto, avalia que a medida tem forte componente político.
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que, embora o uso de tarifas faça parte da política comercial adotada por Donald Trump, a decisão também estaria relacionada às pressões sobre o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) em temas ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Governo Lula evita retaliação imediata
Apesar da entrada em vigor da sobretaxa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não aplicar, por enquanto, a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.
Após cogitar uma resposta logo depois do anúncio da medida, o Palácio do Planalto recuou e optou por manter uma postura de cautela, priorizando as negociações diplomáticas.
Segundo integrantes da equipe econômica e do governo, a decisão foi tomada por três motivos principais:
- Evitar prejuízos ao próprio Brasil: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmam que taxar produtos americanos poderia pressionar a inflação e aumentar os custos para empresas brasileiras.
- Reduzir o risco de uma nova escalada: interlocutores do governo avaliam que uma retaliação imediata poderia levar a Casa Branca a ampliar as sanções. Os Estados Unidos já estudam aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sob a alegação de trabalho forçado.
- Atender ao setor produtivo: associações industriais e exportadores pediram cautela ao governo.
Enquanto mantém o diálogo com os Estados Unidos, o governo também trabalha em medidas para reduzir os impactos da sobretaxa, como a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros atingidos.