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Clube que era financiado por mineradora multinacional vai virar SAF

Nascida a partir da fusão de equipes de funcionários de uma mineradora multinacional brasileira, a Associação Desportiva Ferroviária entrou na reta final para a conclusão do processo que vai transformar o clube em uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF).

Segundo o presidente do quadro Associativo do clube, Carlos Farias, a pendência relacionada à Junta Comercial foi resolvida e que agora restam apenas ajustes contábeis.

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A criação da SAF foi aprovada pelos sócios da Desportiva em julho, por 29 votos a 1, e desde então o clube do Espírito Santo vem cumprindo as etapas burocráticas para formalizar a nova empresa.

“Acho que em poucos dias a gente tem a conclusão disso, são detalhes. Mas, o importante é que o processo não está parado. Estamos fazendo um ajuste à pedida da contabilidade de 2025, voltaremos amanhã lá apenas para fazer esses ajustes, porque os investidores precisam ter tudo isso. Mas falta muito pouco”, afirmou o dirigente ao ge.

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Carlos Farias também afirmou que o investidores da SAF já visitaram as estruturas do clube:

A SAF já está fazendo o trabalho de visitar o estádio, buscar recursos, possivelmente melhorar o gramado… Desde o dia da Assembleia ficou claro que eles têm toda a liberdade de agir. Eu saio da presidência no final do ano, mas ainda tenho dois objetivos: concluir essa questão da SAF e zerar o nosso débito trabalhista. É algo que eu tenho trabalhado muito nos últimos tempos. Carlos Farias – Presidente da Desportiva Ferroviária

Ligação com mineradora multinacional

A Desportiva Ferroviária foi criada em 1963 a partir da união de funcionários da antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), de forma que o escudo do clube traduz essa origem: ele une de forma literal um trilho de trem com uma bola de futebol dos anos 1960.

Durante três décadas, a mineradora custeou despesas da Desportiva Ferroviária e descontava mensalidades do clube diretamente na folha de pagamento de milhares de ferroviários.

A Vale do Rio Doce também cedeu o terreno onde foi construído o Estádio Engenheiro Alencar de Araripe, além de contribuir financeiramente para as obras. O estádio foi batizado em homenagem ao diretor da mineradora no momento da criação da Desportiva Ferroviária.

Foto aérea do Estádio Engenheiro Araripe na década de 1960
Foto aérea do Estádio Engenheiro Araripe na década de 1960 – Foto: FÁBIO PIRAJÁ | MEMÓRIA CAPIXABA

Toda essa ligação fez com que o clube fosse considerado o “Primo-Rico” do futebol capixaba.

Fim da relação e declínio esportivo

No entanto, o patrocínio e o suporte financeiro direto da Vale do Rio Doce à Desportiva Ferroviária acabaram após a privatização da estatal em 1997. Atualmente, o clube está totalmente desvinculado da Vale.

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Da sua criação até 1997, o clube havia conquistado 15 dos seus 18 títulos estaduais. Depois que a Vale cortou o vínculo com o clube, foram apenas três conquistas em quase 30 anos, sendo a última em 2016.

Além disso, o clube não consegue chegar à final do Campeonato Capixaba desde 2017.



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