O Centro de Convenções de Salvador se tornou um grande centro de discussões sobre o futuro da matriz energética do país. Começou na quarta-feira, 27, e seguiu até sexta, 29, a quarta edição do Bahia Oil & Gas Energy (BOGE26), atraindo comitivas internacionais, grandes players do mercado e caravanas acadêmicas.
Com acesso totalmente gratuito, o encontro foi além da tradicional exposição de máquinas, transformando os pavilhões em eixos de fechamento de negócios, debates sobre sustentabilidade e qualificação profissional.
Em entrevista ao portal A TARDE, Nicolás Honorato, organizador do BOGE, destaca o crescimento contínuo do público e a diversidade de perfis presentes nesta edição.
“Estamos muito felizes com a evolução do evento, é a quarta edição e continuamos crescendo o número de visitantes, na representatividade das pessoas que nos visitam. Neste evento temos CEOs, presidentes, pessoal técnico, pessoal de manutenção, estudantes, academia aqui representada, pessoal de inovação, meio ambiente”, diz.
O organizador aponta que a dinâmica geopolítica atual favorece a produção brasileira no cenário global. “O Brasil, que é um grande produtor de petróleo e de gás, pode se beneficiar dessa situação fornecendo petróleo e gás cru ou já processado para vizinhos ou para outros países do mundo. O Brasil está cada vez mais preparado para estar mais resiliente nessas mudanças”, afirma Nicolás, reforçando a escolha de Salvador como sede fixa da conferência.
Transformação digital e foco em governança ambiental
A programação divide-se em duas plenárias principais, dedicadas a petróleo e a gás e derivados, além de arenas temáticas voltadas para inovação, mercado comercial e diretrizes ESG (fatores ambientais, sociais e de governança).
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A inserção de cursos formativos inéditos busca qualificar a mão de obra regional para as novas exigências do mercado técnico.
As empresas expositoras aproveitam o espaço para apresentar suas reestruturações operacionais. Davi Azevedo, CEO da Kempetro, empresa de engenharia consultiva com atuação nacional, relata o impacto dos novos processos de gestão.

“Nós reinventamos a Kempetro através de um processo de um programa de transformação empresarial, e esse programa de transformação empresarial, ele atenta muito para a questão do ESG, a governança da parte social. A gente tem focado bastante nessa questão da transformação digital para esse mundo de inteligência artificial, de algoritmos, estamos também trazendo isso para a própria engenharia”, destaca.
Formação técnica e descentralização dos serviços
A presença de grandes marcas e patrocinadores master como Petrobras, Transpetro, PetroReconcavo, Brava, Bahiagás e Acelen confere peso político e comercial ao evento. Para as companhias prestadoras de serviços especializados, a feira funciona como vitrine de tecnologias de exploração e segurança.
Anderson Almeida, técnico de Segurança O&M da Perbrás, detalha a estratégia da companhia ao expor serviços de sondas e parafinação mecânica e térmica.

“Hoje a Perbrás é uma empresa descentralizada. É o momento da gente estar expondo o trabalho da Perbrás, trazendo as nossas particularidades. E voltado mais para o lado de estudantes, a gente tem parcerias com o Senai, trazendo pessoas que estão no início do seu aprendizado para estar demonstrando para saber o que é o petróleo hoje no mundo”, pontua.
O evento encerra as atividades consolidando redes de cooperação técnica e propostas de investimentos que alinham o aumento da capacidade de refino e exploração às demandas por transição energética no país.