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Bares na Bahia calculam prejuízos após eliminação da Seleção na Copa

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo deve provocar reflexos imediatos sobre parte da economia baiana, especialmente em segmentos que apostaram no torneio para impulsionar as vendas. Bares, restaurantes, vendedores de artigos temáticos e pequenos empreendedores que reforçaram estoques ou investiram em infraestrutura para transmitir as partidas calculam perdas após o encerramento antecipado da participação brasileira. Em contrapartida, especialistas avaliam que outros ramos do comércio tendem a recuperar o fluxo de consumidores com a retomada da rotina.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-BA), Julio Calado, o prejuízo será significativo para empresários que investiram esperando uma campanha mais longa da Seleção. Segundo ele, cerca de 52% dos bares e restaurantes do estado fizeram preparativos específicos para a Copa, incluindo aluguel de telões, equipamentos de som e estrutura adicional para receber o público. Em alguns casos, os investimentos chegaram a R$ 10 mil ou R$ 20 mil. “Como acabou nas oitavas, vai ser grande o prejuízo. Principalmente para quem se organizou, investiu”, afirma.

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Calado explica que as partidas de outras seleções continuam atraindo clientes, mas em um volume muito inferior ao registrado nos jogos do Brasil. “Muda o clima. Só quem gosta mesmo vai agora a um estabelecimento para assistir a uma partida entre seleções de outros países. O movimento deve cair 50%”, estima.

Nos dias de jogos da Seleção, o impacto costuma ser expressivo. Segundo o dirigente da Abrasel, alguns estabelecimentos chegam a registrar aumento de até 200% no faturamento diário. Ao longo de todo o período da Copa, o incremento mensal costuma variar entre 20% e 70%, percentual que agora deve ficar entre 5% e 10%.

Embora reconheça impactos negativos para alguns segmentos, o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, avalia que o efeito sobre a economia como um todo é mais complexo e envolve uma redistribuição do consumo. Segundo ele, comerciantes que reforçaram estoques de camisas da Seleção, bandeiras, artigos de decoração e produtos voltados para confraternizações devem enfrentar dificuldades para vender esses itens, principalmente os produtos temáticos, cuja demanda praticamente desaparece com a eliminação do Brasil.

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Na contramão

Por outro lado, Dietze destaca que os dias de jogos também provocam redução significativa na circulação de consumidores em shoppings e centros comerciais, afetando lojas que não têm relação direta com a Copa.

“Quando há um jogo da Seleção no meio da tarde ou no fim do dia, muitos estabelecimentos praticamente perdem aquele período. Compras por impulso deixam de acontecer porque as pessoas priorizam acompanhar a partida”, explica.

Entre os setores beneficiados pela retomada da rotina estão lojas de vestuário, óticas, calçados e outros segmentos dependentes do fluxo espontâneo de consumidores. Para o economista, a normalização da circulação tende a compensar parte das perdas observadas durante o torneio.

Dietze ressalta, contudo, que ainda é difícil mensurar qual dos efeitos prevalecerá. Enquanto supermercados e estabelecimentos que comercializam alimentos e bebidas conseguem absorver estoques por meio de promoções ou do consumo cotidiano, vendedores de produtos exclusivamente ligados à Copa enfrentam um cenário mais delicado.

“O importante é entender que alguns segmentos serão prejudicados e outros voltarão a ser beneficiados com a retomada da rotina. Não dá para afirmar que a economia ganha ou perde como um todo. O consumo apenas muda de direção”, diz.



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