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Banda baiana lança disco e faz show que homenageia o rock de Salvador

Não é segredo para ninguém: Salvador e sua cena de rock tem uma relação difícil, oscilando entre a indiferença, o amor e o ódio, mesmo.

Essa relação é tão marcante que meio que permeia o álbum de estreia da banda Gabriel & Os Decaídos, Doce Labirinto, que tem show de lançamento amanhã, no Uthopya Clube RV (Rio Vermelho).

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Liderado por Gabriel Gonçalves, o quarteto tem o glorioso e maldito rock baiano praticamente tatuado no seu DNA.

O som tem muito de Cascadura – de fato, dois membros d’Os Decaídos tiveram passagens marcantes pela clássica banda de Fábio Casca –, enquanto outras figuras marcantes da cena participaram da produção do disco. E até a capa, uma das melhores já lançadas no rock local, é quase um “onde está Wally” do rock baiano.

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Nela, vê-se uma cena urbana noturna, com a frente de uma casa de shows anunciando Gabriel & Os Decaídos enquanto inúmeras referências à cena soteropolitana se espalham pelos detalhes da imagem, em um jogo bem divertido para os adeptos.

“A capa é o título do álbum, né, Doce Labirinto. É uma referência à nossa cena, porque é um labirinto, né, velho, as mesmas pessoas, os mesmos lugares – ainda que os lugares mudem de nome –, os mesmos problemas, os mesmos papos e tal. Então, é um labirinto, assim, mas ao mesmo tempo é bom, né, faz nosso coração ali bater forte. É um labirinto, mas é doce”, descreve Gabriel.

No alto, à esquerda, dois saudosos guitarristas – Gustavo Mullem e Karl Hummel, do Camisa de Vênus – observam o burburinho na fictícia Rua Álvaro Assmar, enquanto diversos passantes envergam camisetas e tatuagens com referências à bandas icônicas como Cascadura, Úteros em Fúria, The Dead Billies, Malefactor, estúdios locais e até a Faustino, folclórico personagem fictício criado pelo artista visual Miguel Cordeiro nos anos 80.

“Se procurar, vai encontrar muita coisa de referência ali nessa capa, né? Pra além disso, nós temos uma música também que a gente lançou até o clipe dela recentemente, que se chama Você Vê Salvador, que fala não fala exatamente da cena, mas fala da minha, da nossa relação de amor e ódio com Salvador, mas que no final é o que é – e é muito legal. A música fala assim, né? Você vê Salvador assim que eu abro a boca”, acrescenta Gabriel.

Com versos como “Amo o Bahêa na Fonte, odeio carnaval”, e “às vezes sou Chame Gente, quase sempre sou Controle Total”, a faixa, com referências mais soteropolitanas, impossível, vai de Armandinho Dodô & Osmar ao Camisa de Vênus.

De autoria de Gabriel, ela explora bem essa relação conflituosa do povo do rock com a cidade da axé music. No fim das contas, está tudo em casa: é Salvador na veia, com toda sua beleza e seu horror.

De Elvis ao Slayer

Formada por veteranos como Cândido Martinez (Cascadura) na guitarra, Cadinho Almeida (Cascadura) no baixo e Luigi Ramundo (Soterbane) na bateria, além de Gabriel na voz e guitarra base, Os Decaídos não decepcionam no som que sai dos fones de ouvido: rock ‘n’ roll de riffs ricos e levadas suingadas à la Rolling Stones, Lynyrd Skynynrd, Free, Humble Pie e similares, além do próprio Cascadura, convidam o ouvinte a mover os quadris e pedir uma cerveja estupidamente gelada urgente no balcão do bar.

“A banda toda, mas especialmente eu, Cadinho e Cândido, a gente tem um gosto e uma influência muito abrangente, a gente gosta de Elvis a Slayer, passando por tudo que tá no meio. Mas a banda, ela tem um som setentista assim, com muita influência mais clara, mais perceptível, de Stones, Tom Petty And The Heartbreakers, Humble Pie, Lynyrd Skynynrd. É um som mais setentista, mas você consegue captar também coisas um pouco de punk rock, principalmente com relação a texturas“, detalha Gabriel.

“E também temos nossos heróis locais, né. Por exemplo, o primeiro disco do Cascadura (1995), que tem Cândido na guitarra, foi um formador de caráter pra mim. Quando saiu, eu tinha 13 anos, já frequentava os shows e tal”, conta.

Gravado entre 2024 e 2025 nos Estúdios ORI, Doce Labirinto foi produzido pela própria banda e teve Apu Tude (ex-Úteros em Fúria) como técnico de gravação (“ele também acabou dando muito pitaco”, diz Gabriel), além de participações de Chris Macchi (King Kobra, Malefactor) nos teclados (nas faixas Estrada ao Mistério e Tá Tudo Bem, Baby).

Como um legítimo rockeiro à moda antiga, Gabriel também valoriza as mídias físicas, então o álbum está disponível em CD por R$ 40. Interessados podem entrar em contato diretamente com a banda via mensagem privada no Instagram gabriel.decaidos.

“No mais, no show de lançamento, vamos contar com vários amigos de outras bandas, então inevitavelmente vai rolar a velha canja, uma jam session depois do nosso repertório”, convida Gabriel.

Gabriel & Os Decaídos: show de lançamento do álbum ‘Doce Labirinto’

  • Data: quinta-feira, 4 de junho
  • Horário: 21h
  • Onde: Uthopya Clube RV (Tv. Basílio de Magalhães, 122 – Rio Vermelho)
  • Ingressos: R$ 20
  • Vendas: meubilhete.com.br



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