Especialistas explicam como agir ao encontrar um tubarão durante o banho de mar e alertam sobre atitudes que devem ser evitadas para reduzir riscos e acidentes
O estado de Pernambuco registrou dois ataques de tubarão em dias consecutivos. O primeiro caso aconteceu no último domingo (31/5), na Praia de Piedade, e feriu uma criança de 11 anos. O mais recente, nesta segunda-feira (1º/6), vitimou uma jovem de 19 anos na Praia de Boa Viagem. O portal LeoDias entrevistou especialistas, que orientaram sobre como reagir a situações como essas. Afinal, como sair vivo de um ataque de tubarão?
Apesar dos recentes acidentes, a bióloga Aline Costa Botelho explicou que ataques de tubarão são eventos raros: “Esses animais desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas marinhos e, na maioria das vezes, o encontro entre humanos e tubarões termina sem qualquer incidente”, disse.
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Cena do filme “Tubarão”Reprodução

Jovem perde a perna após ataque de tubarãoReprodução / Instagram

Foto do tubarão mecânico usado no filme “Tubarão”, em 1975Divulgação/Disney

Foto do tubarão mecânico usado no filme “Tubarão”, em 1975Divulgação/Disney

Tubarão cabeça-chataCrédito: Albert Kok – Wikimedia Commons
“O mais importante é respeitar o ambiente marinho e seguir as orientações de segurança das autoridades locais”, acrescentou a profissional.
A especialista orientou sobre como o banhista deve reagir ao encontrar um tubarão: “As principais recomendações internacionais, adotadas por instituições como o International Shark Attack File (ISAF), nos Estados Unidos, orientam que, se você avistar um tubarão, a primeira coisa é não entrar em pânico”, esclareceu.
Aline também listou algumas medidas para reduzir os riscos em uma situação como essa:
• O ideal é sair da água com calma;
• Não nade desesperadamente nem faça muito barulho;
• Não tente se aproximar do animal.
Ela destacou que os tubarões fazem parte do ambiente marinho e, na maioria das vezes, seguem seu caminho sem qualquer interação com as pessoas. Por isso, manter a tranquilidade e respeitar a distância é sempre a melhor atitude.
Já Marcello Mello, biólogo ambiental e perito judicial, ressaltou que existem cerca de 500 espécies de tubarão no mundo e que a grande maioria é inofensiva. Dessas, apenas cerca de 30 são consideradas mais agressivas e 10 apresentam comportamento mais voraz. “No Brasil, as espécies que mais atacam seres humanos são o tubarão-tigre, o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-galha-branca”, esclareceu.
“É importante que a população também entenda que esses animais estão perdendo fontes de alimentação por conta da ação humana. Com isso, a oferta de alimento no mar acaba sendo reduzida, e os tubarões ficam com menos opções para se alimentar. Esses tubarões, principalmente o tigre e o cabeça-chata, se alimentam de focas e de animais maiores, como tartarugas. Quando percebem um movimento na água, podem partir para o ataque. O ser humano não faz parte da alimentação habitual desses animais, mas, na escassez de alimento, eles podem atacar o que encontrarem pela frente”, completou o biólogo.
Mello destacou ainda a importância de o poder público desenvolver técnicas para monitorar esses animais e proteger as áreas de lazer: “Promovam avisos e alertas constantes para que as pessoas estejam prevenidas. Agora, não é correto eliminar os tubarões nem incentivar sua extinção. Eles contribuem para o equilíbrio ambiental, já que ocupam o topo da cadeia alimentar marinha. Então, se você eliminar os tubarões, acaba criando um problema”, concluiu.