Um dia após o fechamento definitivo do Lar de Idosos Irmã Elizabete, no bairro de Roma, na Cidade Baixa, seis das oito idosas retiradas da instituição seguem acolhidas em um centro de apoio da Prefeitura de Salvador, localizado em Amaralina. Longe do ambiente onde viviam em condições consideradas degradantes, elas agora aguardam um novo destino enquanto a rede de assistência social tenta localizar seus familiares.
Conforme apuração do Portal A TARDE, até a manhã desta terça-feira, 14, apenas a família de uma das residentes havia sido localizada. As demais permaneciam sem contato com parentes, o que dificulta o processo de reintegração familiar e prolonga a permanência delas na unidade de acolhimento do município.
Outras duas idosas, que estavam em estado de saúde mais delicado no momento da operação, precisaram ser encaminhadas imediatamente para atendimento médico e não seguiram para o abrigo municipal junto com as demais.
Um cenário de abandono
A operação que resultou no fechamento da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) revelou um ambiente marcado pela precariedade. Segundo apuração da reportagem, o imóvel apresentava acúmulo de sujeira, infestação de baratas, problemas estruturais, condições inadequadas de higiene e até fezes espalhadas pelo chão.

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As imagens e as condições encontradas pelas equipes reforçaram um histórico de irregularidades já acompanhado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) desde 2024. Nas inspeções realizadas ao longo dos últimos dois anos, os promotores identificaram falta de organização dos prontuários, escassez de alimentos, ausência de atividades para as residentes e uma rotina em que as idosas permaneciam a maior parte do tempo confinadas nos quartos.

Mesmo após notificações e orientações do MPBA para corrigir os problemas, a instituição não promoveu as mudanças exigidas.
Uma interdição ignorada
O Ministério Público chegou a determinar o fechamento do abrigo em novembro de 2025. A decisão, porém, não foi cumprida. Em uma nova fiscalização, realizada em maio deste ano, os órgãos constataram que a instituição continuava funcionando normalmente, apesar da ordem de interdição.
Na segunda-feira, 13, uma força-tarefa formada pelo MPBA, Vigilância Sanitária, Secretarias Municipais de Saúde (SMS) e de Promoção Social (Sempre), Polícia Civil e Samu voltou ao local e encerrou definitivamente as atividades do abrigo.
Durante a ação, a gestora da instituição, Roseli Santos, de 35 anos, foi presa em flagrante pelo crime de expor a perigo a integridade e a saúde física ou psíquica de pessoas idosas.
O desafio agora é reconstruir vínculos
Com o fechamento da instituição, o trabalho dos órgãos públicos deixou de ser apenas o resgate das residentes e passou a incluir a busca por familiares e a definição de um acolhimento permanente para cada uma delas.
Enquanto esse processo acontece, seis idosas permanecem sob os cuidados da Prefeitura de Salvador. Para duas delas, que necessitaram de atendimento médico, a prioridade segue sendo a recuperação da saúde antes da definição dos próximos passos.