Imagens obtidas durante uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) colocaram a advogada Fernanda Oliveira Borges, como uma das prinicipais pontes entre criminosos custodiados no Conjunto Penal de Serrinha e o mundo exterior.
De acordo com o material investigativo, os registros foram feitos entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 no parlatório do Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha e mostram a advogada supostamente retirando papéis escondidos sob as próprias vestes durante atendimentos a um interno.
As gravações analisadas pelo MP indicariam que o preso ditava informações que eram registradas em papéis, incluindo anotações relacionadas à contabilidade do tráfico de drogas, cobranças de dívidas mediante ameaça e supostos planejamentos de sequestros.
Ainda conforme os investigadores, a advogada participaria da transmissão dessas informações entre o detento e integrantes da organização criminosa em liberdade.
O Ministério Público sustenta que Fernanda Oliveira Borges atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido pelos apelidos “Bolão”, “CRM” e “JR”. Ele é apontado pelas autoridades como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), organização criminosa com atuação na região de Senhor do Bonfim.
As imagens utilizadas na investigação foram divulgadas pela TV Globo e passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelo MP-BA.
O que diz a Ordem dos Advogados do Brasil
Em nota enviada ao Portal Salvador FM, a OAB Bahia informou que companhou, por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas, o cumprimento dos mandados envolvendo advogados durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada nesta sexta-feira (3).
Ainda segundo a OAB, Daniela Borges, determinou à Procuradoria Jurídica da Seccional que solicite ao Tribunal de Justiça acesso aos autos do inquérito para acompanhamento do caso.
Após a análise da documentação, o material será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-BA para adoção das providências cabíveis, inclusive a eventual suspensão preventiva dos advogados envolvidos, nos termos do Estatuto da Advocacia e do Código de Ética e Disciplina.
A OAB-BA informa, ainda, que está prestando o suporte necessário para assegurar que os advogados constituídos pelos investigados tenham acesso aos autos, em observância às prerrogativas da advocacia e às garantias do contraditório e da ampla defesa.
Operação Sintonia de Gravata
O caso integra a Operação “Sintonia de Gravata”, deflagrada pelo MP-BA (Ministério Público da Bahia), com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), que mirou dez advogados suspeitos de atuar como elo entre lideranças presas e integrantes em liberdade de facções criminosas.
As investigações apontam que os profissionais utilizavam o parlatório do presídio para transmitir ordens relacionadas ao tráfico de drogas, armas e planejamento de crimes como homicídios e sequestros. Câmeras instaladas com autorização judicial registraram os encontros.