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Verme do coração: saiba como proteger seu cão de uma doença transmitida por mosquitos

Entre os cuidados que fazem parte da rotina de quem tem um cachorro, estão: vacinação, alimentação adequada e controle de pulgas e carrapatos. Há, no entanto, uma ameaça menos conhecida que pode se instalar de forma silenciosa e comprometer órgãos importantes dos animais: a dirofilariose canina, conhecida como “verme do coração”.

Causada principalmente pelo parasita Dirofilaria immitis, a doença é transmitida pela picada de mosquitos infectados. Após entrar no organismo do animal, o parasita passa por diferentes fases de desenvolvimento até atingir a forma adulta, podendo se alojar nas artérias pulmonares e provocar alterações nos sistemas cardiovascular e respiratório.

Mosquitos dos gêneros Aedes, Culex, Anopheles e Ochlerotatus podem fazer parte da transmissão. “Ao picar um animal doente, o mosquito ingere larvas (microfilárias) que passam por um período de desenvolvimento dentro do inseto. Em uma próxima picada, essas microfilárias são depositadas na pele de outro animal, iniciando o ciclo da infecção”, explicou a consultora técnica de pets da Boehringer Ingelheim, Dra. Mariana Silva.

O diagnóstico que mudou a rotina de Lola

Na prática, um dos desafios da dirofilariose é que a doença pode passar despercebida por um longo período. Foi o que aconteceu com Lola, uma cadela de nove anos que mantinha uma rotina ativa em Salvador. 

Lola participava de atividades de terapia assistida por animais em hospitais e era doadora voluntária de sangue. Antes das coletas, passava por testes rápidos de saúde. Em um deles, o resultado apontou a presença da dirofilariose. “A doutora fez um teste rápido e deu positivo. A orientação depois foi fazer outro mais aprofundado. Então, fomos a um consultório veterinário, fizemos uma nova coleta e foi comprovada a dirofilariose”, lembrou a tutora, Valentina Escobar Rubi.

Após o diagnóstico, Lola foi encaminhada a uma cardiologista e passou por exames para avaliar o coração e os pulmões. “Ela fez ecocardiograma e eletrocardiograma para ver se existia uma presença das microfilárias nos vermes. Fez também uma ultrassonografia para ver se tinha alguma outra coisa. Passou também por uma pneumologista, para ver se tinha algo no pulmão, um dos locais onde o verme se instala, mas não tinha nada”, detalhou. “Era bem no início da doença, então a gente conseguiu entrar com o tratamento”, continuou.

Parasita circula pelo nordeste

A presença do parasita já foi identificada em diferentes regiões do país, inclusive do Nordeste. Um estudo publicado em 2024, na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, avaliou 426 cães de 15 municípios do litoral de Alagoas e encontrou a Dirofilaria immitis em 12,7% dos animais.

Mais recentemente, uma pesquisa publicada na revista Veterinary Parasitology: Regional Studies and Reports com 100 cães clinicamente sadios em dois municípios do litoral do Ceará encontrou soropositividade para o parasita em 17% dos animais.

Na Bahia, estudos anteriores também registraram a circulação da doença. Em 2014, uma pesquisa publicada na revista Parasites & Vectors encontrou o parasita em 20% dos 120 cães avaliados em Salvador e em 20,3% dos 148 animais examinados em Lauro de Freitas.  Os percentuais correspondem aos animais analisados naquelas pesquisas e não representam, necessariamente, a prevalência atual da doença nas duas cidades.

Prevenção pode fazer diferença

Para reduzir o risco de infecção, a Dra. Mariana recomenda medidas que diminuam a exposição aos mosquitos, como o controle de focos de água parada e a proteção dos ambientes internos.

O médico-veterinário José Eduardo, presidente da Comissão Estadual de Saúde Única (CESU) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV-BA), por sua vez, explica que a identificação da doença pode envolver exames específicos. “O diagnóstico vem da pesquisa sorológica ou pesquisa de filárias em exames complementares, na rotina das avaliações e suspeita epidemiológica”, explicou.

A frequência das consultas, segundo José Eduardo, depende da idade do animal e pode ser semestral ou, ao menos, anual. “Nossa recomendação final é para os responsáveis pelos animais sempre estarem informados das doenças típicas de nossa região e buscar a orientação profissional”, orientou.

Quando o tratamento entra em cena

Lola passou por um tratamento que durou quase seis meses. “Não existia, na época, um tratamento que fosse 100%. Os veterinários precisaram estudar, entender e optar por um tratamento que foi feito com um tipo de vermífugo, que protege contra a doença, mas que precisa ser ofertado todos os meses; por uma medicação oral; e pela vacina ProHart, que é específica para a proteção à dirofilariose”, contou Valentina.

Após o procedimento, Lola foi submetida a novos exames para acompanhar a evolução do quadro. “Foram feitos, inclusive, mais três exames para se ter a confirmação de que ela estava bem, porque existem os ciclos das larvas e do verme. Os três deram negativos. Então, a gente entendeu que, de fato, ela já estava curada”, disse a tutora.

O tratamento deve ser conduzido e acompanhado por um médico-veterinário, já que a eliminação dos vermes adultos pode provocar complicações no sistema circulatório.

Os sinais aparecem com o avanço da doença

A dirofilariose pode permanecer sem sinais aparentes durante parte de sua evolução. Conforme a infecção avança, podem surgir sintomas como tosse, cansaço, falta de ar, intolerância ao exercício e perda de peso.

Nos casos mais graves, o animal pode apresentar desmaios, insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar. Em quadros avançados, pode ocorrer também a síndrome da veia cava, uma complicação grave associada à presença de grande quantidade de vermes adultos.

Por isso, a prevenção é uma das principais estratégias de controle da doença. O uso de medicamentos preventivos deve ser orientado por um médico-veterinário, de acordo com as características e necessidades de cada animal.

O ambiente também entra nessa equação

As condições ambientais têm relação direta com a circulação da dirofilariose, já que favorecem a proliferação dos mosquitos transmissores. “Regiões litorâneas, tropicais e subtropicais, como grande parte do Brasil, são naturalmente mais propícias. À urbanização também contribui: jardins com irrigação, caixas d’água destampadas e áreas com acúmulo de lixo podem aumentar a densidade de mosquitos”, explica a Dra. Mariana.

A doença pode ser causada por diferentes espécies do gênero Dirofilaria. A Dirofilaria immitis é a principal responsável pela forma cardiopulmonar, enquanto a Dirofilaria repens, mais comum na Europa e na Ásia, costuma provocar manifestações subcutâneas.

E os humanos, correm risco?

Embora a dirofilariose seja uma zoonose, os casos em seres humanos são considerados raros. A infecção também ocorre por meio da picada de mosquitos infectados, mas o parasita não completa seu ciclo de desenvolvimento no organismo humano da mesma forma que nos cães. Por isso, as manifestações da doença são diferentes.

Para os animais, a prevenção é a principal forma de reduzir os riscos. O uso de medicamentos preventivos, o controle de mosquitos e o acompanhamento regular com um médico-veterinário são medidas importantes, especialmente em áreas onde o parasita já foi identificado.

 

Foto: Joá Souza / Divulgação

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