O Pelourinho, em Salvador, será ponto de encontro para discutir novos futuros a partir de perspectivas negras, indígenas e afro-indígenas, durante a 6ª edição da Festa Literária Arte e Identidade. O evento começa nesta quarta-feira (16) e segue até sexta (18).
Durante a estratégia, haverá cortejos culturais, mesas literárias, oficinas, apresentações artísticas, contação de histórias, jogos digitais e de tabuleiro, lançamentos de livros, concurso de escrita criativa e sessões de filmes, em uma programação diversa e gratuita.
Com o tema “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, o evento propõe um olhar para a ancestralidade como fonte de inspiração para imaginar novos cenários, especialmente para crianças e jovens.
Espalhado por diferentes pontos do Centro Histórico de Salvador, o cronograma convida o público a percorrer o Pelourinho e explorar, ao longo do trajeto, as múltiplas experiências propostas durante os três dias de festa literária.
As atrações se distribuem entre o Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água; o Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista; o Espaço Empoderamento, na Casa Vale do Dendê/Sala Vatapá; e o Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal.
A Feira Maria Felipa também será uma opção para conhecer ou comprar livros e produtos de empreendedores negros e indígenas, no Largo Tereza Batista. Simultaneamente, ações estarão acontecendo em equipamentos culturais parceiros, como Casa do Carnaval, Casa do Idoso, Casa do Olodum, Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, a Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela, da SEPROMI, e o Projeto Axé – Axébuzu, uma biblioteca itinerante sobre rodas, no Largo Terreiro de Jesus.
Confira a programação completa:
Quarta-feira (16)
A programação inicia às 13h30, no Espaço Infantil Brilho, com a Mostra Gamepólitan de Jogos Digitais, promovida pela 42 Cultural, que apresenta games de temática afrofuturista, e o Espaço de Jogos de Mesa – LAB108, que dispõe de jogos africanos clássicos e protótipos inspirados na cultura afro-brasileira.
Às 14h, a cantora e escritora Claudya Costta assume a contação de história musicada “O Portal Afrofuturista – Aventuras de Makena no Sankofa Haven” para as crianças, enquanto a Casa do Carnaval recebe a visita guiada seguida da oficina “Mete Dança”, dedicada aos ritmos da Bahia.
No mesmo horário, o Cortejo Cultural da Negritude, formado por estudantes, percussionistas e dançarinas da Associação Cultural e Carnavalesca Tambores e Cores, sai do Terreiro de Jesus em direção ao Largo Quincas Berro D’Água, levando música e dança pelas ruas do Pelourinho até o Espaço Juventudes, onde, às 15h, acontece a conferência de abertura “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral”.
A mesa reúne Larissa Luz e Paulo Rogério Nunes, com mediação de Lindinalva Barbosa, para refletir sobre possibilidades de construir o futuro a partir de referências ancestrais.
Quinta-feira (17)
O segundo dia começa às 9h no Espaço Juventudes, com a oficina lúdico-pedagógica “Ancestralidade, música e criação”, ministrada por Nagô Beets, percussionista eleito em 2022 Ministro da Timbalada por Carlinhos Brown.
Às 10h, o espaço recebe o encontro “Escola e produção de futuros” com os professores Jocevaldo Santiago e Genivaldo Santos e estudantes coautores de seus livros, em uma conversa sobre produção literária no ambiente escolar.
Também às 10h, na Casa Vale do Dendê, a oficina “Inteligência Ancestral: um escape room de inteligência artificial”, em parceria com o Instituto Anísio Teixeira (IAT) e facilitada por Renata Souza Barreto, irá aproximar tecnologia, conhecimento e ancestralidade durante uma dinâmica interativa.
No Espaço Infantil Brilho, às 10h50, Duda Santhana conduz o Sarau da Infância, que será aberto para qualquer criança recitar poesias autorais ou improvisar no microfone.
Já no Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal, duas mesas literárias colocam o afrofuturismo e a ancestralidade em debate. Às 10h, “O futuro é ancestral: Afrocentricidade, educação e novos projetos de sociedade”, com Katiuscia Ribeiro, Nini Kemba Nayo, Fábio Mandingo e mediação por Taisa Ferreira; e, às 14h30, “Afrofuturismo: Literatura especulativa e Ancestralidade”, com Davi Nunes, Fábio Kabral e mediação por Lorena Ribeiro.
Sexta-feira (18)
O terceiro dia reserva um dos momentos mais esperados do evento: a final do Concurso de Escrita Criativa Versos de Identidade – Ano III, que traz ao palco do Espaço Juventudes os 10 finalistas selecionados para declamar poemas inspirados no tema do afrofuturismo, a partir das 15h30.
Pela manhã, às 11h10, a roda de conversa “Quem conta nossa história”, convida os jovens escritores do IAPI Bento Santiago, Eduarda Oliveira, Marcos Portela e Stephany Leão, com mediação de Nayane Nepomuceno e Yasmin Pereira, abordando juventude, literatura e protagonismo negro.
Às 9h, a programação do Espaço Empoderamento inclui o lançamento do livro “Bebé: Memórias Afrofuturistas”, de Anderson Shon, introduzindo ao público as aventuras de Dona Bebé por diferentes planetas, que se misturam a referências de músicos afrofuturistas como Naná Vasconcelos, Gilberto Gil e BaianaSystem.
No Espaço Infantil Brilho, será a vez do espetáculo circense “Picadeiro Quilombeiro”, da Cumbuca das Artes – Cia de Circo-Teatro. A partir das 14h30, os visitantes poderão assistir aos curtas “Jimú e o Universo Ancestral”, de Aislane Nobre; “Amir e o Tesouro Perdido”, de Guilherme Lima Silva e Bomani Lima; “5 Fitas”, de Heraldo de Deus e Vilma Martins; e “Cajuína”, de Mapa Macedo, no Espaço Identidades durante a Mostra DIMAS.
Novas referências para criar o futuro – Ao colocar crianças e adolescentes em contato com narrativas que rompem estereótipos e apresentam personagens negros como protagonistas de histórias de ciência, tecnologia, invenção e criatividade, a Festa Literária Arte e Identidade amplia as possibilidades de representação.
O resultado é um exercício de imaginação que fortalece a autoestima, estimula a produção artística e amplia as referências culturais das novas gerações.
Festa Literária Arte e Identidade
No decorrer de seis edições, a Festa Literária Arte e Identidade consolidou-se como um espaço de formação cidadã, incentivo à leitura e valorização das produções negras e indígenas na capital baiana, fortalecendo a economia do livro, a produção cultural local e o acesso democrático à arte.
O evento é uma realização da Associação Cultural e Carnavalesca Quero Ver O Momo. Conta com apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda. Tem também os apoios da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Vale do Dendê, e Madureira Aluga.
Apoio institucional: Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais do Estado da Bahia (SEPROMI), Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), Fundação Pedro Calmon (FPC) e Instituto Anísio Teixeira (IAT). Parcerias: Casa do Carnaval, Casa e Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, Casa Do Idoso, Projeto Axé e Museu Eugênio Teixeira Leal.