O 7 de setembro é uma das datas comemorativas mais importantes do Brasil, justamente por marcar um dos principais acontecimentos da história nacional: a Independência. Foi em 1822 que d. Pedro deu início à trajetória do país como uma nação independente, em um processo que marcou profundamente a formação política e social brasileira.
Atualmente, o 7 de setembro é feriado nacional e costuma ser marcado por comemorações públicas em diferentes cidades brasileiras. A data também funciona como um momento de revisitar episódios que ajudaram a construir a identidade do país e que, ao longo dos anos, deixaram os livros de História para ganhar novas versões nas telas.
Muito antes de ter contato com determinados acontecimentos históricos por meio de documentos ou estudos, parte do público conheceu personagens e períodos do Brasil por meio de novelas, filmes e séries. A ficção, com suas escolhas narrativas, cenários e personagens, ajudou a transformar acontecimentos distantes em histórias próximas do cotidiano dos espectadores.
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É nesse cruzamento entre memória e diversão que sete momentos da história nacional podem ser revisitados. De conflitos no sertão baiano a períodos de instabilidade política, produções de diferentes épocas ajudaram a construir representações do Brasil e influenciaram a maneira como acontecimentos históricos passaram a ser lembrados pelo público.
7 momentos da história nacional recriados em novelas, filmes e séries
A chegada da família real ao Brasil

Em 1808, a transferência da corte portuguesa para o Brasil mudou a dinâmica da então colônia. A chegada da família real ao Rio de Janeiro provocou transformações políticas, econômicas e sociais e se tornou um dos episódios mais conhecidos do período que antecedeu a Independência.
O acontecimento também ganhou diferentes interpretações na ficção brasileira, que explorou desde os personagens da corte até as mudanças provocadas pela chegada dos portugueses.
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil
Lançado em 1995, o filme dirigido por Carla Camurati acompanha a trajetória de Carlota Joaquina e apresenta a chegada da família real portuguesa ao Brasil. A produção utiliza o humor e a sátira para recriar personagens e acontecimentos relacionados à monarquia portuguesa e ao período vivido no país.
O Quinto dos Infernos
A minissérie exibida em 2002 acompanha personagens da família real portuguesa e aborda acontecimentos ligados à transferência da corte para o Brasil. A produção combina elementos históricos com comédia, romance e aventura para apresentar o período que antecedeu a Independência.
A Independência do Brasil

O 7 de setembro de 1822 representa, na memória nacional, o momento em que o Brasil rompeu politicamente com Portugal. O processo, no entanto, foi marcado por disputas e pela participação de diferentes personagens, que ganharam versões nas telas ao longo das décadas.
Entre as produções que revisitaram esse período está uma novela que colocou figuras como d. Pedro e Leopoldina no centro da narrativa, além de um filme que transformou a Independência em uma grande representação cinematográfica.
Novo Mundo
Exibida em 2017, a novela acompanha personagens históricos e fictícios durante o período que antecede a Independência do Brasil. A trama coloca d. Pedro, Leopoldina e outros personagens históricos no centro de uma narrativa que mistura acontecimentos políticos, romance e aventura.
Independência ou Morte
Lançado em 1972, o filme recria o processo de Independência do Brasil e apresenta d. Pedro como personagem central. A produção utiliza acontecimentos e figuras históricas para representar o período que culminou na separação política entre Brasil e Portugal.
A escravidão e a Abolição

A escravidão marcou profundamente a formação social, econômica e cultural do Brasil e permaneceu como sistema oficial até 1888, quando a Lei Áurea decretou o fim da escravidão no país. Antes disso, porém, décadas de resistência e disputas políticas já colocavam em questão a permanência do sistema.
A história desse período também chegou à televisão e ao cinema em diferentes momentos. Algumas produções colocaram pessoas escravizadas no centro das narrativas, enquanto outras utilizaram o contexto do Brasil Imperial para abordar as relações sociais e os conflitos que cercavam a escravidão e a luta pela liberdade.
Escrava Isaura
Exibida em 1976, a novela acompanha Isaura, uma mulher escravizada que enfrenta as dificuldades impostas pelo sistema escravista e luta pela própria liberdade. A produção se tornou uma das novelas brasileiras de maior repercussão e levou a temática da escravidão para o público de diferentes países.
Sinhá Moça
A novela de 1986 é ambientada nos últimos anos da escravidão e acompanha personagens envolvidos na luta pela libertação dos escravizados. A trama combina romance e conflitos sociais para apresentar o cenário brasileiro próximo à Abolição.
Quanto Vale ou É por Quilo?
Lançado em 2005, o filme estabelece uma relação entre a escravidão no Brasil e problemas sociais do país contemporâneo. A produção utiliza diferentes períodos históricos para refletir sobre desigualdade, exploração e permanências sociais.
Nos Tempos do Imperador
Exibida em 2021, a novela se passa durante o Segundo Reinado e acompanha personagens históricos e fictícios em meio às transformações políticas e sociais do período. A escravidão aparece como parte importante do contexto da narrativa.
A Guerra de Canudos

Entre 1896 e 1897, o sertão da Bahia foi palco de um dos conflitos mais marcantes da história brasileira. A Guerra de Canudos colocou a comunidade formada em torno de Antônio Conselheiro em confronto com o Exército brasileiro e terminou com a destruição do arraial.
O episódio ganhou diferentes interpretações ao longo do tempo e também foi levado para o cinema. A história de Canudos passou a fazer parte do imaginário nacional não apenas pelos registros históricos, mas também pelas representações de personagens como Antônio Conselheiro e pelas imagens do sertão construídas pelas produções audiovisuais.
Guerra de Canudos
Lançado em 1997, o filme dirigido por Sérgio Rezende recria o conflito ocorrido no sertão baiano. A história acompanha personagens que vivem na região e são afetados pela formação da comunidade de Canudos e pelo confronto com as forças militares enviadas pelo governo.
A Era Vargas

A chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, inaugurou um período de grandes transformações políticas e sociais no Brasil. Sua trajetória inclui o governo provisório, o Estado Novo, a repressão política, mudanças nas relações de trabalho e diferentes momentos de tensão até seu retorno à Presidência pelo voto.
Por sua importância na história brasileira, Vargas e seu período de governo foram retratados em filmes e produções televisivas. As obras permitem observar diferentes recortes de sua trajetória, desde a perseguição política durante seu governo até a crise que marcou seus últimos dias no poder.
Olga
Lançado em 2004, o filme acompanha a trajetória de Olga Benário, militante comunista alemã que veio para o Brasil e foi perseguida pelo governo de Getúlio Vargas. A narrativa apresenta acontecimentos políticos relacionados à repressão durante a Era Vargas.
Getúlio
O filme de 2014 concentra sua história nos últimos dias de Getúlio Vargas, em 1954. A produção acompanha a crise política que cercou o presidente antes de sua morte e apresenta as tensões que marcaram aquele momento da história brasileira.
Agosto
A minissérie de 1993 é ambientada em agosto de 1954 e acompanha acontecimentos políticos e sociais que antecederam a morte de Getúlio Vargas. A produção mistura personagens históricos e fictícios para reconstruir o ambiente de tensão vivido naquele período.
O golpe de 1964 e a Ditadura Militar

O golpe de 1964 marcou o início de uma Ditadura Militar que durou 21 anos no Brasil. O período foi marcado por censura, perseguição política, prisões, tortura e desaparecimentos, além da resistência de diferentes grupos que se opuseram ao regime.
Por décadas, esse capítulo da história nacional também foi revisitado pelo cinema e pela televisão. As produções escolheram diferentes personagens e acontecimentos para representar os anos de repressão, desde a atuação de militantes políticos até os impactos da Ditadura na vida de famílias brasileiras.
Zuzu Angel
Lançado em 2006, o filme acompanha a trajetória da estilista Zuzu Angel, que passa a enfrentar o regime militar após o desaparecimento e a morte de seu filho, Stuart Angel. A produção mostra a busca da personagem por respostas e sua luta para denunciar o que havia acontecido.
Marighella
Dirigido por Wagner Moura e lançado em 2019, o filme retrata os últimos anos da vida de Carlos Marighella, político e guerrilheiro que atuou na resistência à Ditadura Militar. A narrativa acompanha a organização da resistência armada e a perseguição promovida pelos agentes do regime.
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias
O filme de 2006 apresenta a Ditadura Militar a partir da perspectiva de Mauro, um garoto que é deixado pelos pais aos cuidados do avô enquanto eles precisam deixar a cidade por motivos políticos. A narrativa acompanha a experiência do menino durante a Copa do Mundo de 1970, tendo como pano de fundo o período de repressão.
Os Dias Eram Assim
Exibida em 2017, a novela acompanha a história de diferentes personagens durante os anos da Ditadura Militar. A trama mistura romance e drama familiar com acontecimentos políticos do período, mostrando como as mudanças do país interferem diretamente na vida dos personagens.
O Agente Secreto
Ambientado no Brasil de 1977, durante a Ditadura Militar, o filme acompanha um homem que retorna ao Recife em busca de uma vida tranquila, mas acaba envolvido em uma trama marcada por perseguição e tensão política.
Ainda Estou Aqui
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa se passa durante a Ditadura Militar e acompanha a família Paiva após o desaparecimento de Rubens Paiva, deputado cassado e perseguido pelo regime. A história, centrada na perspectiva de Eunice Paiva e de seus filhos, retrata os impactos da repressão política dentro de uma família brasileira.
A redemocratização do Brasil

Após 21 anos de Ditadura Militar, o Brasil começou a atravessar um processo de abertura política que ganhou força no início dos anos 1980 e culminou na redemocratização. As mobilizações pelas Diretas Já, a eleição de Tancredo Neves e a chegada de um novo período político transformaram o país e também passaram a aparecer na ficção.
Novelas, filmes e minisséries ajudaram a representar esse Brasil em transformação, seja ao acompanhar personagens envolvidos com a política, seja ao mostrar os costumes e conflitos de uma sociedade que deixava para trás os anos de autoritarismo.
Rainha da Sucata
Exibida em 1990, a novela retrata o Brasil dos primeiros anos após o fim da Ditadura Militar. A ascensão econômica de Maria do Carmo, uma mulher de origem humilde que enriquece vendendo sucata, é colocada em contraste com uma elite tradicional em decadência, funcionando como um retrato dos conflitos sociais e econômicos da Nova República.
O roteiro precisou ser reescrito para incorporar o clima de crise financeira que afetava tanto a classe média quanto os empresários após o Plano Collor.
Que Rei Sou Eu?
Exibida em 1989, a novela utiliza um reino fictício para construir uma sátira política sobre o Brasil. A produção foi ao ar no período de consolidação da democracia e ficou conhecida por abordar, de forma alegórica, temas como corrupção, autoritarismo, desigualdade e disputas pelo poder.
Anos Rebeldes
A minissérie exibida em 1992 acompanha um grupo de jovens entre 1964 e 1979, mostrando as mudanças políticas e sociais provocadas pela Ditadura Militar. A história passa pela resistência ao regime e pelas transformações que antecederam o processo de abertura política.