O ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante o governo Michel Temer e atual coordenador do programa econômico de Romeu Zema, Carlos da Costa, afirmou que uma eventual presidência do candidato do Partido Novo vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil em seis meses.
Segundo ele, que também é ex-secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade no ministério de Paulo Guedes durante a gestão de Jair Bolsonaro, com isso e com outras medidas de corte de gastos, será possível reduzir a dívida pública e viabilizar o corte de juros no Brasil.
Carlos da Costa disse, ao O Globo, que, em um eventual governo Zema, em 2027, a principal medida será um corte de gastos. Para ele, sem isso, o “país vai quebrar”. “E o Brasil não quebra só do ponto de vista público, as empresas vão quebrar e os cidadãos também, porque os juros estão muito altos”, disse.
“Nós temos exatamente onde vamos cortar os gastos. Primeiro, vamos reduzir as fraudes. Outra vertente vai ser uma redução de 30% dos cargos comissionados. Além disso, nós vamos congelar todas as contratações no setor público federal”, seguiu.
De acordo com o ex-diretor do BNDES, outra prioridade será reverter o prejuízo das estatais. “Vamos acabar com os penduricalhos. Vamos trabalhar com o Congresso para reduzir à metade as emendas parlamentares. Vamos manter apenas o fundo partidário, que é a menor parte dos recursos que vão para os partidos, vamos acabar com o fundo eleitoral. Nós vamos também desvincular os gastos que estão no Orçamento”, ressaltou.
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Vinculação das metas de saúde e educação
Na ocasião, Carlos da Costa falou também que as metas de saúde e educação que vão precisar ser entregues serão vinculadas.
“E os ministros que não entregarem as metas de saúde e educação, nós vamos fazer com que eles sejam substituídos. E por último, o aumento do PIB real vai trazer mais cerca de R$ 90 bilhões para arrecadação. A gente vai manter as alíquotas previstas (de impostos), não vamos diminuir, pelo menos no primeiro ano”, projetou.
No total, no primeiro ano, nós temos um ajuste de 2% do PIB. Vamos passar de um déficit de 0,5% primário, que é uma irresponsabilidade do governo atual, para um superávit de 1,5%. Isso são R$ 230 bilhões.
Ainda de acordo com o ex-secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, “isso é impacto no primeiro ano, que junto com a privatização do Banco do Brasil e da Petrobras, que a gente estima que seja feita por volta de junho ou julho, começando com a medida provisória no início do ano, vai fazer com que a dívida pública se estabilize no segundo semestre. E depois ela começa a cair. Por quê? Porque no segundo ano nós temos mais ajustes”.
“Aí nós temos a Reforma Administrativa, a redução dos gastos tributários, lentamente para o setor privado se adaptar. E assim por diante. Nós estimamos que com o crescimento e mais todas essas medidas e a redução dos juros que vem com ela, que é um componente importante do aumento do gasto público nos últimos anos, a relação dívida PIB cai para 75% no final do quarto ano”, complementou.
Carlos da Costa acredita que, se a população estiver mobilizada, “nós vamos conseguir privatizar logo de início o Banco do Brasil e o Petrobrás. Isso é necessário, principalmente quando a gente entende que isso vai baixar extremamente rápido as taxas de juros”.