SIM. Esse é um artigo sobre moda. Ou melhor, como ela influencia e como é influenciada pelo mundo, a todo momento, seja qual for a época.
Sim. Esse é um artigo sobre moda. Ou melhor, como ela influencia e como é influenciada pelo mundo, a todo momento, seja qual for a época.
A minha paixão por moda vem de longas datas desde quando, ainda criança, acompanhava a minha mãe no seu atelier de costura entre tecidos, máquinas de costura, linhas, tesouras…. Era um gostar gratuito. Sem muitas reflexões ou intenções.
Hoje, vivendo nesse mundo e estudando cada vez mais sobre ele entendo que moda é muito mais que aquela blusinha verde neon na vitrine de uma marca reconhecida e objeto de desejo de muitas mulheres. Falar de moda é falar de cultura, política, economia, meio ambiente, inovação, tecnologia e acima de tudo, falar de pessoas.
Mas e Zeitgeist (pronunciamos: Zait Gaist)? O que esse termo significa?
É uma palavra em alemão que quer dizer espírito do tempo, ou seja, tudo que está acontecendo no mundo, a vibe que paira no ar, o mood da nossa casa, a Terra. É o que caracteriza uma época, como a sociedade vive, quais os seus desejos, seus medos, suas dores, seus objetivos, suas crenças e tudo isso tanto no âmbito coletivo como no individual do ser humano. Desenvolver um produto de moda é considerar o espírito do tempo de forma global, e também as peculiaridades de cada local e a partir daí criar algo inovador e que atenderá essa demanda.
E qual é o Zeitgeist de 2020?
Após mais de 7 meses de pandemia aqui no Brasil podemos dizer que o susto já passou, mas o vírus ainda existe. O isolamento social está mais flexível, considerando que muito lugares já abriram e estão funcionando para o público em geral. Mas e o consumidor? Será que ele é o mesmo? Seus desejos e anseios, assim como seus medos e dores se mantiveram intactos? A resposta é não.

O que vi nas últimas semanas de moda de Nova Iorque, Londres, Paris e Milão é que a moda entendeu que seu consumidor é outro. Temas como otimismo, diversidade, ativismo político, sustentabilidade, resgate aos produtos feitos à mão, escapismo, simplicidade e o resgate a natureza (busca pelo bem estar) foram destaques nesses eventos que influenciam toda a cadeia da indústria da moda mundial. Conforto, praticidade e versatilidade das peças foram elementos presentes em muitos desfiles. Pude observar também um destaque para os tons neutros como o bege, branco e o cinza. Essas tendências demonstram que definitivamente esse cliente mudou. Ele tem refletido sobre tudo o que está vivendo e não quer mais comprar por impulso ou somente por alguma informação fashionista.
O consumismo desenfreado dá(finalmente) lugar ao consumo consciente.
É a moda influenciando com suas mangas bufantes e sendo influenciada pelo que está rolando nas ruas, nos hábitos e desejos das pessoas.
Todo esse fluxo de troca, de dar e receber, demonstra o quanto a Moda de futilidade não tem nada. Além da sua importância na economia mundial e brasileira, ela, através das roupas e dos seus produtos, conta a nossa História, fala sobre a nossa Arte, sobre a nossa Cultura.
Por isso, se antes era uma apaixonada por esse mundo efêmero da Moda hoje ela faz parte de quem sou, que pode ser percebido pelo o que eu visto.
E qual é a Moda que visto? A que acredita que todo esse processo pode ser diferente. Que podemos dar lugar ao conforto em contraponto a pura estética. Que podemos ser conscientes no lugar de consumistas. A que tem um potencial infinitamente transformador.
E você? Qual a Moda que você veste?