Campeão da Libertadores e da Recopa pelo clube carioca, defensor cobra indenizações, estabilidade provisória, FGTS, férias e premiações em processo trabalhista revelado pela ESPN
O zagueiro Manoel acionou o Fluminense na Justiça do Trabalho em uma ação que ultrapassa R$ 11,8 milhões. Campeão da CONMEBOL Libertadores e da CONMEBOL Recopa pelo clube carioca, o defensor alega falhas no tratamento de uma lesão no joelho esquerdo e cobra uma série de indenizações trabalhistas. As informações foram publicadas inicialmente pela ESPN Brasil.
Segundo a reportagem da ESPN Brasil, o Fluminense ainda não havia sido notificado até a divulgação do caso. Procurado pela emissora desde quarta-feira (7/5), o clube informou que não irá se manifestar.
Veja as fotos
Manoel atuando pelo FluminenseReprodução/Instagram

Manoel atuando pelo FluminenseReprodução/Instagram
Representado pelo advogado Filipe Rino, Manoel cobra pagamentos relacionados a premiações, bichos, férias, FGTS e indenizações trabalhistas. A maior parte da ação, porém, está ligada à alegação de acidente de trabalho e à suposta ausência de respaldo do clube durante o tratamento da lesão.
Lesão teria começado após clássico
De acordo com o processo, o problema físico teve início em maio de 2025, depois de uma partida contra o Vasco da Gama. Manoel afirma que sentiu dores no joelho esquerdo na ocasião, mas exames realizados pelo departamento médico do Fluminense não apontaram qualquer lesão.
Ainda conforme a ação, o atleta continuou treinando e atuando normalmente nos meses seguintes. Em outubro, durante uma atividade no clube, ele relata ter sentido um estalo no joelho acompanhado de fortes dores. Após novos exames, foi constatada uma lesão grave, levando à decisão pela cirurgia.
O processo afirma que, momentos antes do procedimento, o Fluminense teria solicitado ao jogador a assinatura de um termo isentando o clube de responsabilidade. Após a cirurgia, segundo o relato apresentado na Justiça, Manoel ouviu que seguiria “por sua conta e risco”.
Demissão durante recuperação
O zagueiro sustenta que o período estimado para recuperação era de cinco meses. No entanto, alega que o Fluminense registrou a baixa em sua carteira de trabalho após apenas dois meses de tratamento, embora ele tenha permanecido realizando reabilitação nas dependências do clube até o fim de março, quando recebeu alta médica.
A defesa do jogador argumenta que ele teria direito à estabilidade provisória prevista em casos de acidente de trabalho. Por isso, quase metade do valor total da ação corresponde ao pedido de indenização substitutiva relacionado ao período de estabilidade que, segundo os advogados, deveria ter sido garantido pelo clube.
Além disso, Manoel afirma que o Fluminense não contratou seguro obrigatório desportivo durante o período da lesão, motivo pelo qual pede condenação de R$ 3,1 milhões. Há ainda cobrança de aproximadamente R$ 5 milhões pela estabilidade provisória.
Valores cobrados na ação
O processo também inclui mais de R$ 550 mil em bichos e premiações, incluindo bônus ligados ao título da Libertadores, cerca de R$ 640 mil em FGTS não depositado e aproximadamente R$ 600 mil em férias.
A lista de cobranças inclui ainda multa de R$ 261 mil, R$ 100 mil por danos morais e mais R$ 1,5 milhão em honorários advocatícios. O atleta também pediu Justiça gratuita. O valor total exato da ação é de R$ 11.863.377,57.
Passagem teve títulos e suspensão por doping
Durante os cinco anos em que defendeu o Fluminense, Manoel disputou 118 partidas pelo clube. O salário inicial era de R$ 182 mil, chegando a R$ 261 mil em 2023, além de R$ 39 mil mensais em direitos de imagem.
A trajetória nas Laranjeiras também teve um período de afastamento por doping. Entre 2023 e 2024, o jogador cumpriu suspensão de oito meses após testar positivo, de forma considerada acidental, para “ostarina”.
Mesmo com a disputa judicial em andamento, Manoel publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais na quarta-feira (7/5). “Saio honrado, com grandes títulos conquistados, gols marcados, que ficarão para sempre na minha memória. E também ‘louco da cabeça’. Gratidão eterna à instituição Fluminense, seus funcionários, companheiros e toda sua torcida”, disse o zagueiro.