A literatura baiana ganhou espaço para novas descobertas durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Na Vila Literária, no Largo Tereza Batista, a Varanda dos Escritores reúne autores do estado e aproxima o público de diferentes obras, gêneros e trajetórias. O espaço também se transforma em ponto de encontro entre quem escreve e quem lê.
Assim, a Flipelô acontece no Pelourinho e segue até este domingo (9) com uma programação diversa para todos os públicos.
Vivências que viram histórias
Entre os autores presentes está Filipe Soares, que levou para o festival o livro Sobre Nós, uma coletânea de contos que aborda experiências da vida periférica. Para o escritor, participar da Flipelô representa a realização de um sonho. Embora o livro tenha sido lançado oficialmente em maio, Filipe encontrou no festival uma oportunidade para apresentá-lo a novos leitores.
“A Flipelô faz parte de um sonho que eu não imaginei que ia realizar. Não nessa edição, mas aconteceu. Na verdade, o meu livro foi lançado oficialmente em maio, mas ele está sendo lançado aqui também na Flipelô, que é um espaço, assim, muito grande”, falou.
Dessa forma, em Sobre Nós, o autor apresenta histórias relacionadas à própria vivência como morador da periferia de Salvador. Filipe é do bairro da Boca do Rio e utiliza a literatura para abordar essa realidade.
“Pude mostrar o meu livro ‘Sobre Nós’, que são contos periféricos, falar da realidade minha como um cidadão periférico que vem do bairro da Boca do Rio. E é isso, estou muito feliz”, destacou.
Novas vozes da literatura baiana
A Varanda dos Escritores também recebe autores que estão começando a construir suas trajetórias na literatura. É o caso de Carén Cruz, autora de “Quem Decide o que é Elegante? Imagem, raça e poder na construção da aparência”.
A escritora considera positiva a receptividade do público à temática abordada na obra e destaca a oportunidade de apresentar o trabalho durante o festival.
“A receptividade do público está sendo surpreendente, porque as pessoas se interessam pela temática do livro e querem, de fato, entender do que a gente está tratando aqui como tema”, afirmou.
Além disso, para Carén, participar da Flipelô também representa uma oportunidade de entrar em contato com um universo novo.
“Eu me sinto honrada de conseguir acessar esse espaço. Então, isso é uma grande oportunidade. Eu sou uma escritora de primeira viagem, então estou adentrando nesse universo, que é muito novo para mim, e está sendo bastante interessante e também acolhedor. Eu acho esse ecossistema literário um ecossistema de muita afetividade e também de muita parceria”, destacou.
Escritor e editor
Além de apresentar sua própria obra, Lucas C.S. Portela participa da Flipelô como escritor e também como responsável por uma editora que publica obras baianas. No festival, ele apresenta Limbo, romance que inaugura a trilogia O Caminho do Perdão.
“Está sendo maravilhoso. A Flipelô é um evento que eu sempre quis participar. Este ano, homenageando Myriam Fraga, está uma temática linda”, afirmou.
Lucas também destacou a presença de outras autoras no catálogo da Editora Mágica.
“Tudo a ver também com o casting da Editora Mágica, que além de mim, quer dizer, fora eu, tem mulheres extraordinárias como autoras. Mulheres incríveis que escrevem maravilhosamente bem”, falou.
Por fim, sobre a obra apresentada durante o festival, o escritor explicou que Limbo é um romance espiritual e dá início à trilogia.
“Estamos aqui com o meu novo livro, ‘Limbo’, que é um romance. Início da trilogia O Caminho do Perdão, um romance espiritual”, destacou.
Leitores e a literatura baiana
A experiência da Flipelô não se limita aos autores. Quem passa pela Vila Literária também encontra a oportunidade de conhecer novas obras e acompanhar as atividades do festival.
A leitora Paula, que esteve no evento, contou que costuma acompanhar autores baianos e que também se interessa por outras formas de manifestação literária.
“Sim, costumo. Eu adoro não só a questão da leitura, mas a da oralidade também. Eu gosto muito de ouvir, ver palestras”, afirmou.
Para ela, a realização do festival no Centro Histórico de Salvador torna a experiência ainda mais especial.
“Mas essa coisa de estar no Centro Histórico de Salvador, da minha cidade, e com todo esse movimento. Então, para mim, é uma junção perfeita”, destacou.
Mais do que apresentar livros em uma programação cultural, a Flipelô cria oportunidades de encontro entre escritores e leitores. Entre obras já conhecidas e novas descobertas, o festival amplia o espaço para a literatura produzida na Bahia circular e chegar a diferentes públicos.
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