A vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges, afirmou que a manifestação de estudantes realizada na noite desta quarta-feira (7), em Salvador, foi uma mobilização organizada pelas próprias lideranças estudantis e refletiu a preocupação de parte da comunidade acadêmica com os rumos políticos do país.
O protesto ocorreu no campus da universidade e teve como uma das pautas críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputam a Presidência no segundo turno.
“Foi uma manifestação orgânica, capitaneada pelas lideranças estudantis, que estão claramente preocupados com os rumos políticos que o Brasil está tomando”, afirmou Jamile ao Portal Salvador FM.
Segundo a vice-reitora, a preocupação também está relacionada ao papel das universidades diante do avanço de movimentos de extrema-direita.
“Todos nós estamos temerosos, porque nós sabemos que a universidade é a primeira a ser atacada quando estamos diante da ascensão de movimentos de extrema-direita”, disse.
Vice-reitora cita episódio envolvendo deputado
Durante a entrevista, Jamile também fez referência ao episódio envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) na Faculdade de Comunicação da Ufba, em agosto. Na ocasião, o parlamentar entrou no campus acompanhado de integrantes de sua equipe e retirou adesivos de apoio a Lula e ao governador Jerônimo Rodrigues das paredes da unidade. A situação terminou em tumulto e confronto com estudantes.
O episódio foi posteriormente levado ao Ministério Público Federal, que intimou o deputado a se manifestar sobre os fatos relatados em uma representação.
Ao comentar a presença do parlamentar na universidade, Jamile classificou o episódio como uma agressão à autonomia universitária. “Nós achamos uma agressão. Foi uma agressão frontal à autonomia universitária”, afirmou.
A vice-reitora ressaltou, porém, que a Ufba mantém a tradição de receber diferentes posições políticas e ideológicas.
“A Ufba se orgulha de, nos seus 80 anos, acolher diversidades e nunca furtamos a debater com os diferentes, mas jamais a universidade vai aceitar agressões”, declarou.
Protesto ocorre após novos conflitos políticos
A manifestação desta quarta-feira acontece semanas depois do episódio envolvendo Diego Castro e em meio a uma disputa política que também tem levado diferentes grupos a se mobilizarem dentro e no entorno das universidades.
A Ufba assumiu uma nova gestão em setembro, com João Carlos Salles como reitor e Jamile Borges como vice-reitora, para o período de 2026 a 2030. A chapa foi escolhida em uma eleição direta pela comunidade universitária, em um processo considerado histórico para a instituição.
Ao falar sobre o protesto, Jamile reforçou que a preocupação da gestão, segundo ela, está sobretudo na preservação da universidade e na segurança dos estudantes diante do atual ambiente político. “Nós estamos preocupados, sobretudo, com o nosso maior patrimônio: o nosso estudante”, afirmou.