• Home
  • Artigos
  • Venda de passaportes vacinais expõe ações de grupos antivacinas em redes sociais

Venda de passaportes vacinais expõe ações de grupos antivacinas em redes sociais

Comprovantes de vacinação falsos estão sendo comercializados em grupos na rede social Telegram. Com custo médio entre R$150 e R$200, a fraude é buscada por negacionistas interessados em driblar a exigência de imunização em determinados contextos, como no caso de escolas.

A prática faz parte de um ecossistema de desinformação sobre vacinas, realizado por grupos extremistas online e que gera consequência nas coberturas vacinais – e por consequência, na segurança das pessoas.

Tudo sobre Saúde em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

O tamanho desse impacto nas coberturas vacinais ainda está sendo mensurado em pesquisa da Universidade Federal da Bahia (Ufba) financiada por edital do Ministério da Saúde (MS) por meio Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo identificaram, apenas no Telegram, 86.568 postagens de desinformação e teorias da conspiração relacionadas à vacinação, compartilhadas entre 542 canais e 286 grupos da plataforma no período de 1º de abril de 2025 a 31 de março de 2026.

Dentro desses grupos eles encontraram a comercialização do passaporte vacinal. Na prática, alguém oferta o serviço de comprovante falso da “picada” – o termo usado nestes espaços para tratar de vacina; o interessado passa o nome, CPF e faz uma transferência via PIX para ter acesso ao documento.

Às vezes os usuários inclusive mostram nos grupos o certificado de que foram vacinados, quando, na verdade, não foram. Ainda no Telegram, a mensagem mais compartilhada de oferta da fraude somou 1923 postagens e a imagem mais disseminada chegou a 2352 compartilhamentos.

Central antivacina

O Telegram é o ponto de culminação da comercialização dos falsos certificados e uma central de campanhas antivacina. A plataforma possui esse papel por conta da facilidade que há para produção de processos automatizados – como envio padronizado de mensagens – e por ter se tornado uma espécie de refúgio para extremistas que foram bloqueados em outras plataformas.

Essa leitura acerca do perfil da rede é do coordenador do Laboratório de Humanidades Digitais (Lab HD Ufba), Leonardo Nascimento, que integra um dos grupos da pesquisa.

Ele explica que são usados “bots” – algo como robôs para tarefas padronizadas – para enviar as mensagens sempre nos mesmos dias, horários e na mesma quantidade por dia. Assim é realizado um envio em massa para diversos grupos. A linguagem desses anúncios é publicitária, feita para vender, com promessa de confirmação da vacina em sistemas oficiais.

Apesar do papel de destaque do Telegram, as outras redes sociais não ficam de fora desse ecossistema.

“Por exemplo, a pessoa vê um vídeo no YouTube em que há uma recomendação para fazer parte de um grupo extremista no Telegram

ou recebe um convite no boca a boca e quando chega nesses grupos encontra conteúdos que tendem a expor a pessoa cada vez mais à radicalização”, explica o pesquisador. As outras redes atuam no processo de descoberta desses grupos no Telegram, o que acontece por meio de perfis no Instagram, grupos do Whatsapp, vídeos do YouTube e diversos outros meios.

Desinformação

Vendida como uma forma de patriotismo e proteção à família, a comercialização de passaportes falsos de vacinação é um mercado próprio impulsionado pela narrativa conspiratória. O coordenador do Economia, Tecnologia e Inovação em Saúde (PECS) – o outro grupo responsável pela pesquisa – do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba (ISC), o epidemiologista Márcio Natividade, indica que o conteúdo enganoso é um dos fatores que contribui para a queda das coberturas vacinais. Ele explica que a desinformação atua como uma infecção com potencial de disseminação alto se não for combatida e que gera um impacto na sociedade.

“Tem diversas doenças cuja única forma (…) de frear sua disseminação é a vacina; sem ela vemos aumento desses problemas de saúde e mais casos novos, mais agravamento, hospitalizações e mais mortes”, comenta..

O objetivo da pesquisa é mensurar o tamanho do impacto das narrativas conspiratórias nas coberturas vacinais; e apresentar estratégias para lidar com o fenômeno. Os números levantados pelo Lab HD geram preocupação.

“Esses resultados me deixam cada vez mais assustado do potencial que a desinformação tem sobre indivíduos e que na sua soma chegam a uma população e isso explica porque nossas coberturas vacinais estão cada vez mais baixas”, afirma Márcio Natividade.

Entre 2016 e 2025, a Bahia não atingiu as metas de vacinação do público infantil. O médico infectologista Adriano Oliveira aponta que o menor número de pessoas vacinadas significa maior circulação do vírus e por consequência, mortes, sofrimento e sequelas.

“Se você perceber (a vacina) é a única terapia que temos hoje capaz de fazer desaparecer uma doença, que foi o que aconteceu com a varíola”, aponta. Os dados de cobertura vacinal na Bahia e no país chamam atenção para a urgência do combate à desinformação, que já demonstrou seu impacto global durante a pandemia de Covid-19.



VEJA MAIS

Artilheiro do Bahia passa por exame e tem lesão confirmada

O artilheiro do Bahia na temporada, Luciano Juba, passou exame de imagem nesta segunda-feira (18)…

Carro capota e fica preso em canteiro central na BR-324

Um carro capotou na BR-324, nas imediações da Jaqueira do Carneiro, em Salvador, na manhã…

Venda de passaportes vacinais expõe ações de grupos antivacinas em redes sociais

Comprovantes de vacinação falsos estão sendo comercializados em grupos na rede social Telegram. Com custo…