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Útero didelfo: especialista explica condição rara relatada por nora de Andressa Urach


Condição pode não apresentar sintomas por anos, mas requer acompanhamento em casos de dor, infertilidade ou complicações na gravidez

O útero didelfo, condição relatada por Maya Braga, namorada de Arthur Urach e nora de Andressa Urach, é uma malformação congênita rara que ocorre ainda durante o desenvolvimento embrionário. A condição é caracterizada pela formação de dois úteros e, em alguns casos, também de dois colos uterinos. Apesar da repercussão em torno do caso, o tema também levanta dúvidas sobre saúde ginecológica e fertilidade. Segundo Cláudio Crispi Jr., chefe do Serviço de Ginecologia do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, a alteração faz parte das chamadas malformações müllerianas, que afetam o desenvolvimento do sistema reprodutor feminino.

Durante o desenvolvimento do embrião, estruturas conhecidas como ductos de Müller dão origem ao útero, às trompas e a parte do canal vaginal. Normalmente, esses ductos se unem para formar uma única cavidade uterina. No útero didelfo, porém, essa fusão não acontece de forma completa, dando origem a dois úteros separados e, em alguns casos, também a dois colos uterinos: “É basicamente um erro de formação na vida embrionária ainda”, explicou o médico ao portal LeoDias.

Veja as fotos

Reprodução: Clínica Renata Assef

Tipos de útero: didelfo e septado são muito rarosReprodução: Clínica Renata Assef

Divulgação: Assessoria Cacau Oliver

Arthur Urach e a namorada, Maya, explicando condição da jovemDivulgação: Assessoria Cacau Oliver

Reprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver

Maya, Arthur e Andressa UrachReprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver

Reprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver

Maya, namorada de Arthur UrachReprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver

Reprodução: Arquivo pessoal

Exemplo de caso raro de útero didelfo: a técnica de radiologia Palomas Matos, de Atibaia (SP), teve gêmeos, cada um em um úteroReprodução: Arquivo pessoal


Entre as malformações müllerianas, o útero septado, caracterizado pela presença de uma divisão dentro da cavidade uterina, é o mais frequente. Já o útero didelfo representa uma pequena parcela dos diagnósticos. Em situações mais raras, a divisão do canal vaginal pode se estender até a entrada da vagina, formando duas aberturas externas; em outras, a duplicação ocorre apenas internamente ou sequer está presente: “A gente estima que de 3 a 5% ou 3 a 7% das mulheres podem ter algum tipo de malformação mülleriana, sendo que o didelfo é a mais rara delas”.

Uma mulher pode conviver com o útero didelfo sem perceber, principalmente quando ambas as cavidades funcionam normalmente. Nesses casos, o ciclo menstrual costuma ocorrer sem alterações evidentes, e o diagnóstico acontece durante exames de rotina ou investigações realizadas por outro motivo: “O problema é quando um dos úteros ou os dois não são funcionais. Exemplo: ela tem um útero que menstrua e não consegue eliminar o sangue. Isso vai fazer com que a paciente tenha algum tipo de dor pelo acúmulo de sangue dentro do útero. Ou a paciente está querendo engravidar e não consegue, ou a paciente tem perda de gravidez de repetição… Aí são alterações que podem chamar atenção. Mas, em geral, no útero didelfo, por serem dois úteros separados e funcionais, a paciente pode inicialmente não ter nenhum tipo de desconfiança”, explicou o especialista.

Outros sinais que podem levar à investigação incluem dificuldade para engravidar, perdas gestacionais recorrentes e complicações durante a gravidez. Ainda assim, a presença do útero didelfo não significa, necessariamente, infertilidade: “Em geral, o principal impacto que as malformações causam na mulher é a dificuldade de manter uma gravidez. Ou seja, ela consegue engravidar, mas ela tem chance de parto prematuro”, afirmou Crispi. Dependendo das características de cada caso, também pode haver maior risco de aborto espontâneo.

Mulheres diagnosticadas com alguma malformação uterina podem manter o acompanhamento ginecológico de rotina. No entanto, consultas antes de uma tentativa de gravidez são especialmente importantes para avaliar a anatomia do útero e os possíveis riscos. O especialista destacou ainda que exames complementares podem ser indicados para compreender melhor o grau da alteração e definir o acompanhamento obstétrico mais adequado. A necessidade de tratamento varia conforme os sintomas, o histórico reprodutivo e as características anatômicas de cada paciente.

Nem toda mulher com a condição precisa passar por cirurgia. No caso do útero didelfo, procedimentos para unir as duas cavidades são considerados raros e altamente complexos: “Tem pouquíssimos casos relatados na literatura médica, porque você teria que fazer uma reconstrução completa do útero. Teria que ligar os úteros que não foram ligados durante a vida embrionária da paciente e fazer com que duas cavidades separadas se tornassem uma cavidade única. O resultado cirúrgico disso geralmente é péssimo”, explicou. Por causa dos resultados pouco satisfatórios, esse tipo de intervenção costuma ficar restrito a situações excepcionais. Já em alterações mais simples, como o útero septado, algumas pacientes podem ser tratadas por histeroscopia, técnica minimamente invasiva realizada por dentro da cavidade uterina.

Mesmo com os riscos, mulheres com útero didelfo podem engravidar e levar a gestação adiante. O principal cuidado é garantir um acompanhamento médico individualizado, especialmente antes da concepção e durante toda a gravidez.



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