A Universidade Cornell, uma das instituições de ensino mais prestigiadas dos Estados Unidos, determinou nesta terça-feira, 13, a suspensão imediata de todas as festas e eventos sociais em fraternidades estudantis. A proibição é válida até meados do ano letivo de 2026-2027 e foi motivada pela repercussão de uma denúncia de estupro coletivo ocorrido em uma das organizações do campus, no estado de Nova York.
A medida foi anunciada pelo reitor da instituição, Michael Kotlikoff, que citou a necessidade de reavaliar a gestão da vida estudantil e a segurança dos alunos dentro das propriedades privadas conhecidas pelas letras gregas.
“Todas as festas e eventos sociais nas casas das fraternidades filiadas ao Conselho Interfraternidades (IFC) de Cornell ficarão suspensas durante o restante do ano letivo. A decisão dará tempo para uma revisão abrangente da vida nas fraternidades e permitirá avaliar se essas organizações podem continuar funcionando com segurança e sob quais condições”, afirmou o reitor em nota oficial.
Detalhes da denúncia e agressão na fraternidade Chi Phi
A crise ganhou novos desdobramentos após a abertura de uma ação civil em setembro. O processo detalha que um estudante foi forçado a consumir cetamina — um anestésico e potente dissociativo —, sendo em seguida agredido sexualmente e estuprado por sete integrantes da fraternidade masculina Chi Phi.
O episódio ocorreu originalmente em 2024. Na ocasião, a direção de Cornell fechou a sede da Chi Phi e aplicou suspensões temporárias aos estudantes envolvidos. Posteriormente, dois dos acusados foram expulsos definitivamente da universidade.
No entanto, a condução do caso gerou fortes críticas de estudantes e ativistas, que consideraram as punições brandas e acusaram a universidade de leniência. Diante da pressão, a instituição encomendou uma auditoria independente para apurar como a denúncia foi tratada na época.
Leia Também:
Regra de “tolerância zero” e investigação criminal
Com a nova determinação, o reitor Michael Kotlikoff enfatizou que não aguardará o fim dos relatórios da auditoria para aplicar punições severas, estabelecendo uma diretriz de “tolerância zero” contra descumprimentos.
“Está claro que não podemos esperar esses resultados para tomar medidas. Qualquer fraternidade estudantil que organize uma festa ou evento social em sua casa receberá uma suspensão imediata”, alertou a reitoria.
O escândalo também colocou em xeque a atuação dos promotores do estado de Nova York, que não apresentaram denúncias criminais contra os suspeitos no momento dos fatos iniciais. Diante da repercussão do processo civil e dos novos relatórios, as autoridades policiais reabriram as investigações criminais para avaliar possíveis responsabilizações judiciais contra os sete envolvidos.