A Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) por suspeita de crime eleitoral.
A decisão atende a uma notícia-crime apresentada pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Assinada pelo juiz Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis (MG), a decisão determina a apuração de uma possível divulgação de informações falsas durante a campanha presidencial do primeiro turno.
Publicação sobre Nossa Senhora Aparecida
Na notícia-crime, a defesa de Flávio Bolsonaro apontou uma publicação atribuída a Ana Elisa nas redes sociais. Segundo a representação, a deputada eleita afirmou que “os bolsonaristas estão tentando retirar o título de padroeira do Brasil da Nossa Senhora Aparecida”.
A defesa do senador pediu medidas cautelares para impedir a divulgação de novos conteúdos semelhantes e garantir a preservação das provas relacionadas às postagens.
O Ministério Público Eleitoral analisou a representação e considerou necessária a realização de diligências para reunir provas complementares. Com isso, solicitou a investigação do caso.
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PF deverá apurar o caso
Além de encaminhar o procedimento à Polícia Federal, o juiz determinou que a empresa X Brasil Internet preserve os registros das publicações investigadas, referentes ao período de 24 de setembro a 8 de outubro.
Cópias do processo também deverão ser enviadas à Procuradoria-Geral Eleitoral para ciência e adoção das providências cabíveis.
O magistrado, no entanto, rejeitou o pedido para proibir Ana Elisa de publicar conteúdos relacionados às eleições presidenciais. A investigação deverá apurar os fatos, sem que a abertura do inquérito represente conclusão sobre a existência de crime.
Deputada eleita reage à representação
Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais com mais de 524 mil votos, segundo as informações divulgadas sobre o resultado eleitoral. Ela ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) entre os candidatos à Câmara dos Deputados pelo estado.
Com milhões de seguidores no Instagram, a parlamentar eleita também foi chamada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para colaborar com a estratégia de campanha do petista.
Após a decisão, Ana Elisa afirmou nas redes sociais que a iniciativa de Flávio Bolsonaro seria uma tentativa de silenciar suas manifestações.
“Eu sou uma menina do interior de Minas Gerais. Recebi 524 mil votos e tenho 4 milhões de seguidores. Mas eu pergunto: por que um candidato à Presidência da República tem tanto medo do que eu tenho a dizer? Flávio teme!!!”, publicou.