A chegada do pagamento por QR Code ao transporte público de Salvador acendeu um sinal de alerta entre os rodoviários. Em entrevista ao programa Ligação Direta, da Salvador FM, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, afirmou que a categoria apoia a modernização, mas teme que a tecnologia avance para os ônibus convencionais e provoque a redução dos postos de trabalho.
Atualmente, segundo o sindicalista, Salvador possui cerca de 3.800 cobradores.
“A gente fica atento”
Fábio Primo afirmou que o sindicato recebeu a novidade com preocupação, principalmente diante da possibilidade de expansão do sistema de pagamento digital para além do BRT.
“O que esperamos é que a modernidade, os avanços não venham para trazer prejuízos para uma categoria que hoje a gente tem em Salvador cerca de 3.800 cobradores”, afirmou.
Para ele, a implantação no BRT não representa o principal problema, já que esse modelo de transporte normalmente não utiliza cobradores. A preocupação está em uma eventual adoção do QR Code nos ônibus convencionais.
“A nossa preocupação é se isso for avançar para os demais, o STCO, o convencional. Essa é a nossa grande preocupação”, explicou.
Sindicato defende agente de bordo
Uma das alternativas discutidas pela categoria é substituir gradualmente a função de cobrador pela de agente de bordo, mantendo uma segunda pessoa dentro dos coletivos.
De acordo com Fábio Primo, esse profissional poderia auxiliar passageiros com deficiência, prestar informações e dar suporte aos usuários, especialmente em uma cidade turística como Salvador.
“A gente defende a função agente de bordo, que é a segunda pessoa dentro do ônibus”, destacou.
De acordo com o presidente do sindicato, existe inclusive um projeto de lei na Câmara Municipal relacionado à criação dessa função.
Reunião com a Semob
O sindicato e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) devem se reunir nesta quarta-feira (7), às 9h30, para discutir os impactos da nova tecnologia.
Fábio Primo afirmou que a categoria reconhece o avanço da bilhetagem eletrônica, mas defende que a modernização seja acompanhada de alternativas para os trabalhadores.
“Pode acabar a função cobrador, mas a gente defende a função agente de bordo”, reforçou.
A nova modalidade de pagamento será inicialmente testada no BRT. A Prefeitura pretende avaliar posteriormente a possibilidade de levar o QR Code para outras linhas do sistema de transporte da capital.