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Simulações em 3D contestam versão do acidente de JK

Um novo capítulo da história brasileira foi escrito pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Um relatório inédito concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não foi vítima de um acidente fortuito, mas sim morto pela ditadura civil-militar (1964-1985).

O documento desmonta a versão oficial de 1976 e sugere uma ação deliberada do Estado para eliminar o fundador de Brasília.

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Ciência contra versão oficial

A base técnica do relatório repousa em simulações em 3D desenvolvidas pelo engenheiro Sérgio Ejzenberg para o Ministério Público Federal (MPF).

Os testes indicam que o suposto contato entre o Opala de JK e um caminhão — que teria causado a perda de controle do veículo na Via Dutra — seria fisicamente impossível nas condições descritas pela perícia da época.

O relatório elenca uma série de falhas graves e omissões na investigação original:

– o veículo não apresentou rastros que indicassem uma tentativa de reação do motorista.

– a perícia da época desconsiderou o relato de Geraldo Ribeiro, motorista de JK, que antes de iniciar a viagem alertou que alguém havia “mexido no carro”.

– não foram realizados exames toxicológicos no motorista, o que impediu a análise de hipóteses como envenenamento ou intoxicação por gases antes da colisão.

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Responsabilidade do Estado

Embora o MPF tenha pontuado em 2021 que a escassez de elementos materiais remanescentes dificultava uma afirmação matemática sobre o atentado, a CEMDP optou pela aplicação do princípio jurídico in dubio pro victima (na dúvida, em favor da vítima).

Sob a presidência da procuradora Eugênia Gonzaga, o colegiado busca assegurar a responsabilidade estatal. Caso o relatório seja aprovado, as certidões de óbito de Juscelino Kubitschek e Geraldo Ribeiro serão retificadas para constar o termo: “morte violenta causada pelo Estado”.

Operação Condor

A investigação insere a morte de JK no tabuleiro geopolítico da Operação Condor, a rede de cooperação repressiva entre as ditaduras do Cone Sul. Uma evidência central citada é uma carta de Manuel Contreras, então chefe da polícia secreta chilena (DINA), enviada a João Figueiredo (chefe do SNI à época).

No documento, JK é explicitamente tratado como uma ameaça à estabilidade do regime militar.

Para o ex-deputado Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, a morte de JK não foi um evento isolado, mas parte de uma “limpeza” de lideranças democráticas.

A conclusão do relatório da CEMDP reforça a tese de que o regime agiu sistematicamente para impedir qualquer tentativa de reorganização política que pudesse ameaçar a permanência dos militares no poder.



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