Sete meses após o início da contaminação na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, moradores, pescadores, marisqueiras e comerciantes afetados pelo desastre ambiental apresentaram uma contraproposta para receber auxílio financeiro das empresas investigadas.
A comunidade pede o pagamento de uma parcela única de R$ 12 mil para cada uma das cerca de 2 mil famílias impactadas. A proposta foi apresentada após a Gerdau sugerir um auxílio de R$ 1 mil por mês durante um ano, em um pacote que totalizaria R$ 24 milhões.
A contraproposta foi discutida nesta quarta-feira (2), durante reunião com representantes da comunidade, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), do Ministério Público Federal (MPF) e outros órgãos públicos. O encontro faz parte das negociações para a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) relacionado à contaminação.
Comunidade relata prejuízos desde fevereiro
Moradores, marisqueiras, pescadores e comerciantes afirmam enfrentar dificuldades para manter a renda desde fevereiro, quando manchas azuladas e amareladas começaram a aparecer na faixa de areia e no mar da praia.
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) apontou que a contaminação partiu do Terminal Itapuã, atribuindo responsabilidade às empresas Gerdau e Intermarítima. A área apresenta sinais de contaminação contínua, com impactos sobre o ecossistema e atividades tradicionais, como a pesca artesanal e a mariscagem.
De acordo com as investigações, análises e perícias identificaram substâncias incompatíveis com os padrões ambientais, além de indícios de uma fonte ativa de contaminação.
Empresas têm quase R$ 400 milhões bloqueados
Em agosto, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens das empresas investigadas, valor estimado para custear medidas de contenção, remediação e recuperação ambiental da área afetada.
Após a reunião desta quarta-feira, o Ministério Público informou que levará a contraproposta apresentada pela comunidade para análise da Gerdau. A empresa afirmou que mantém diálogo com autoridades e órgãos competentes para buscar uma solução social e técnico-ambiental para o caso.
A Intermarítima, por sua vez, informou anteriormente que estudos preliminares apontam que a origem da contaminação estaria relacionada ao período em que o terminal era operado pela Gerdau e afirmou acompanhar as investigações.
Para os moradores, além do auxílio financeiro, a principal expectativa é pela recuperação da praia e pela retomada das atividades econômicas antes da chegada do verão.