A memória, a resistência e a ancestralidade das mulheres negras que ajudaram a construir a história do Ilê Aiyê, do Curuzu e de Salvador voltam ao centro das reflexões a partir desta terça-feira (15), com a abertura da Semana da Mãe Preta 2026.
Realizado pelo Ilê Aiyê desde 1979, sempre no mês de setembro, o encontro gratuito segue nos dias 16 e 18 de setembro, no Terreiro Acè Jitolu, no Curuzu. Com curadoria das netas de Mãe Hilda, Valéria Lima e Val Benvindo, a edição deste ano tem como tema “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”.
A Semana da Mãe Preta parte do reconhecimento de que a história do Ilê Aiyê também foi construída por mulheres negras que, por meio da educação, da cultura, da organização comunitária e da resistência, abriram caminhos para as novas gerações. A programação propõe aproximar essas trajetórias das questões vividas pelas mulheres negras no presente e das possibilidades de transformação do futuro.
Programação:
A programação de abertura começa às 14h30, com a exposição fotográfica “Mulheres que constroem a nossa história”, reunindo imagens de Mãe Hilda Jitolu, Eugênia Lúcia e outras mulheres que marcaram a trajetória do Ilê Aiyê, do Terreiro Acè Jitolu e da comunidade do Curuzu. Às 15h, uma mesa presta homenagem a Eugênia Lúcia, idealizadora dos Cadernos de Educação do Ilê Aiyê, com a participação de Vovô do Ilê, Arany Santana, Valéria Lima e Val Benvindo. O primeiro dia terá ainda a exibição do filme “O Dia de Jerusa”, às 16h30; a roda de conversa “Ainda temos muito para viver: mulheres negras, tempo, desejo e liberdade”, às 17h; e um pocket show da cantora Jann Souza, às 18h.
Ainda nesta terça-feira, o filme “O Dia de Jerusa” traz para a programação o encontro entre diferentes gerações. Na sequência, a roda “Ainda temos muito para viver: mulheres negras, tempo, desejo e liberdade” propõe uma reflexão sobre o direito das mulheres negras de viver plenamente todas as fases da vida. Envelhecimento, autonomia, memória, desejo, liberdade e reinvenção estão entre os temas do encontro, que questiona estereótipos que associam mulheres negras mais velhas apenas ao cuidado, ao trabalho e à resistência.
A conversa destaca o direito de construir novos projetos, amar, desejar, descansar e imaginar outros futuros em qualquer idade. Participam Letícia Sotero e Cida Garcia, com mediação de Val Benvindo.
Ancestralidade que se reinventa
Na quarta-feira (16), a Semana da Mãe Preta amplia o olhar para questões que atravessam a vida e a atuação das mulheres negras na contemporaneidade. Às 14h30, a roda “Moda Afro-brasileira: Identidade, Ancestralidade e Empreendedorismo” reúne a estilista Dete Lima e a empresária Najara Black para discutir a moda produzida por mulheres negras como expressão de identidade e resistência cultural, espaço de valorização da ancestralidade e também possibilidade de geração de renda.
Às 16h, a roda “Masculinidades Negras, Saúde Mental e os Impactos nas Vidas das Mulheres Negras” propõe uma reflexão sobre as construções sociais das masculinidades negras e seus reflexos nas relações afetivas, familiares e comunitárias. A discussão também aborda como o cuidado com a saúde emocional dos homens negros pode contribuir para o enfrentamento das violências que atingem as mulheres negras e para a construção de relações mais saudáveis e igualitárias. Participam o historiador Dofono Hinxi e o psicólogo Diego Wellerson.
Memória entre gerações
A programação retorna na sexta-feira (18), às 14h30, com a roda de conversa “Memórias Negras da Bahia”, que contará com a participação de Amanda Tropicana e Urânia Muzanzo. O encontro traz para o centro do debate as experiências, histórias e saberes que atravessam a trajetória de mulheres negras na Bahia.
Às 16h, será exibido o documentário “Juntas pelo Bem Viver: Vozes da Marcha das Mulheres Negras”, que aborda processos de organização política, mobilização social e protagonismo das mulheres negras no Brasil. O encontro contará com a participação de Valdeci Nascimento e pretende estimular uma reflexão sobre o papel da memória e da ancestralidade na transmissão de saberes, na formação de novas lideranças e na organização das mulheres negras.
Na sequência, às 16h30, a roda de conversa “Gerações de Mulheres Negras”, com mediação de Luanda Simax, reunirá diferentes gerações para compartilhar trajetórias, experiências de resistência e estratégias de transformação social.
A Band’Aiyê encerra a Semana da Mãe Preta 2026, às 18h, em uma apresentação que reúne música e celebração à força, à ancestralidade e à resistência das mulheres negras.