A previsão de intensificação do fenômeno climático El Nino na segunda metade de 2026 reforça o alerta para a safra de verão de soja e milho. O evento altera a distribuição de chuvas e provoca períodos de altas temperaturas, aumentando o risco de estresse hídrico na região Sul, além de áreas produtoras do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil.
De acordo com Julia Veiga, engenheira agrônoma e coordenadora de portfólio da Biotrop, nestes cenários é necessário um manejo preventivo e resiliente. No caso da soja, a seca limita o desenvolvimento das raízes desde os estágios iniciais, reduzindo a capacidade da planta de explorar água e nutrientes no solo.
“Quando o déficit hídrico ocorre durante a fase reprodutiva, a falta de água provoca o abortamento de flores e vagens, causa diminuição do número e peso de grãos e reduz o potencial produtivo”, explica.
No milho, a falta de água compromete igualmente o desenvolvimento da cultura, afetando a formação e o desenvolvimento das espigas, a polinização e o enchimento dos grãos.
Além dos prejuízos visíveis, a seca provoca alterações fisiológicas importantes. “Para evitar a perda de água, a planta fecha os estômatos, reduzindo a fotossíntese, a produção de energia e a absorção de nutrientes. Como consequência, o crescimento desacelera, aumenta o estresse oxidativo e a cultura passa a ter menor capacidade de suportar condições climáticas adversas”, conta a engenheira agrônoma.
Tecnologias de manejo e bioinsumos
Especialistas indicam a necessidade de adocao de estrategias preventivas, incluindo cultivares adaptadas e o uso de bioinsumos. Ativadores microbiológicos aplicados via tratamento de sementes ou no sulco de plantio atuam no estimulo ao sistema radicular e na eficiencia do uso de agua pelas plantas.
Pesquisas conduzidas por consultorias e instituicoes parceiras registraram respostas positivas em mais de 86% dos ensaios com o uso de tecnologias biologicas em condicoes de seca. No cultivo de milho, os testes apontaram incremento medio de seis sacas por hectare.
O cenario climatico projetado para 2026 reforca a utilizacao de ferramentas biologicas e metodos preventivos como parte das estrategias de gestao de risco para a agricultura comercial.
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