Deixar o cigarro para trás pode ser um desafio para quem enfrenta a dependência da nicotina. Em Salvador, fumantes que desejam abandonar o hábito podem contar com acompanhamento gratuito oferecido pela Prefeitura, por meio do Programa Municipal de Controle do Tabagismo.
Atualmente, 88 unidades de saúde participam da iniciativa, que existe há 20 anos e oferece acompanhamento clínico e terapêutico para auxiliar pacientes no processo de cessação do tabagismo. Apenas em 2025, 1.086 pessoas foram acompanhadas pelo programa.
Segundo a subcoordenadora da Estratégia de Saúde da Família e Ações Estratégicas na Atenção Primária à Saúde, Mônica Campos, as terapias em grupo têm papel importante no tratamento.
“Estudos indicam que as terapias em grupo são mais eficazes para parar de fumar do que as tentativas individuais. O grupo se caracteriza como um espaço de cuidado, troca de experiências e fortalecimento”, afirmou.
Mônica também destacou os impactos do tabagismo na saúde. De acordo com ela, além de estar relacionado ao desenvolvimento de câncer, o consumo de tabaco pode provocar infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, doenças pulmonares e agravar enfermidades crônicas. A especialista lembrou ainda que o tratamento oferecido pelo município é totalmente gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os participantes do programa está o aposentado Balbino José Ferreira, de 69 anos. Fumante desde os 18 anos, ele conheceu a iniciativa durante uma consulta na Unidade de Saúde da Família (USF) Pituaçu e afirma estar há um mês e 27 dias sem fumar.
“Eu já tinha interesse em parar de fumar, e esse convite foi a oportunidade que faltava. Minha vida mudou, inclusive em relação ao paladar. Mudei minha alimentação e alguns hábitos que eu tinha quando era viciado em cigarro”, relatou.
Cada grupo do programa reúne, em média, 20 participantes. Antes de iniciar as atividades, os pacientes passam por entrevista e avaliação clínica. Durante o processo, é realizado o teste de Fagerström, utilizado para medir o nível de dependência da nicotina e definir o tratamento mais adequado, que pode incluir adesivos de nicotina e, quando necessário, medicação oral.
Apesar da redução do número de fumantes observada nos últimos anos, Mônica Campos alerta para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens.
“O vício mudou; o perigo agora é o vape. Ao atrair os jovens com sabores e aromas, o cigarro eletrônico esconde um grande risco: o que parece ser apenas vapor é uma mistura de nicotina concentrada e metais tóxicos”, alertou.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 477 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência do tabagismo. Ainda de acordo com o instituto, os impactos provocados pelo cigarro geram custos anuais de R$ 153,5 bilhões para o sistema de saúde e para a economia do país.