Salvador amanheceu sem ônibus nas ruas nesta sexta-feira, 22, após os rodoviários iniciarem um movimento de greve que afetou milhares de passageiros e provocou atrasos em deslocamentos para o trabalho, escola e outros compromissos.
Em entrevista ao portal A TARDE, vereadores criticaram o transtorno causado à população e cobraram mais diálogo para evitar novas paralisações no transporte público da capital.
O líder da oposição na Câmara Municipal, Randerson Leal (Podemos), afirmou que a Prefeitura de Salvador precisa assumir uma postura permanente de intermediação entre empresários e trabalhadores para evitar que situações como a desta sexta voltem a ocorrer.
“A Prefeitura de Salvador não assume a responsabilidade como gerenciadora do transporte público municipal. Deveria, por exemplo, intermediar melhor as negociações entre trabalhadores e o setor patronal. Uma greve é ruim para todo mundo. Tem que ter uma mesa permanente de negociação para não haver mais esse tipo de paralisação por falta de diálogo”, afirmou o vereador.
Randerson também classificou como “lamentável” o fato de a população ser prejudicada pela falta de entendimento entre as partes envolvidas.
Já o vereador Hamilton Assis (PSOL) atribuiu o impasse à postura das empresas de ônibus nas negociações salariais com os rodoviários.
Segundo ele, os empresários tentam vincular reajustes salariais ao aumento da tarifa de ônibus ou à ampliação de subsídios pagos pela Prefeitura.
O parlamentar também criticou o valor da passagem em Salvador, atualmente em R$ 5,90, e a qualidade do sistema de transporte público da cidade.
“Temos uma das maiores tarifas e um dos piores serviços públicos do país, além da redução de linhas e da falta de planejamento integrado com outros modais. Essa prática tenta esconder a crise do sistema e transferir o prejuízo para os trabalhadores e para os cofres públicos”, disse.