O Conselho Deliberativo do Flamengo votou, com mais 90% de aprovação, uma proposta de reforma estatutária que institucionaliza um modelo de gestão profissional. A nova estrutura teria duas principais lideranças: o Diretor-Geral, responsável pela gestão corporativa, e o Diretor de Futebol, que ficaria à frente do futebol profissional e das categorias de base.
A decisão tomada pelo Conselho na última terça-feira, 15, estabelece uma separação entre governança, supervisão e execução, concentrando a administração cotidiana do clube em uma diretoria profissional, formada por executivos remunerados e selecionados segundo critérios técnicos.
Entenda o que muda
Essa reforma resultará na criação de um Conselho Gestor (COGE), que terá como função supervisionar a atuação da diretoria. Ele será composto pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e o vice-presidente do Flamengo, além de um Procurador-Geral, e entre nove e 12 membros de livre nomeação de Bap, para um mandato de três anos.
O dirigente teria a prerrogativa de nomear e destituir os membros deste conselho, que precisariam lhe reportar autorização e mudanças. A emenda incluiu no texto final sugestões de conselheiros, mas cita em vários itens a necessidade de veto ou aprovação do presidente do Flamengo, sobretudo nos temas relacionados ao departamento de futebol.
Em meio a isso, as vice-presidências específicas vão ser extintas.
Com a aprovação, o orçamento anual vai passar a ser elaborado em conjunto com um planejamento para os próximos três anos, além de uma projeção para cinco anos e de indicadores para acompanhar o desempenho do clube.
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Apesar de todas as mudanças, essa reforma não prevê a transformação do Flamengo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mantendo o clube como uma associação civil.
Entrave interno
O tema gerava certa divisão entre os conselheiros antes da votação. Entre os apoiadores, acreditava-se que existia a necessidade de mudanças no estatuto, que é de 1992 e se encontra defasado em alguns pontos. Já quem é contrário, acredita que o texto, se aprovado, dará ainda mais poder para Bap e menos transparência aos conselheiros.
Elaborado por uma Comissão Permanente, o texto foi apresentado pelo presidente Bap em junho. Foram 92,39% pela aprovação (643 votos), 47 contrários (6,75%) e seis abstenções (0,86%).