Rui Costa defende mudanças na lei contra facções

O candidato ao Senado Rui Costa (PT) defendeu, nesta segunda-feira (31), mudanças na legislação brasileira para fortalecer o combate às facções criminosas. A declaração foi dada durante participação no programa Toda Hora.

Segundo o petista, o enfrentamento à criminalidade não pode se limitar ao trabalho das polícias e à prisão de suspeitos. Para Rui, é necessário também rever o funcionamento do sistema jurídico para dar maior suporte aos governos estaduais.

“Todo mundo fala de segurança e, quando fala de segurança, pensa em polícia e cadeia somente. Mas segurança não é isso. Segurança é o sistema jurídico do país”, afirmou.

Rui criticou situações em que criminosos continuam comandando ações de dentro dos presídios. Ele relatou um episódio ocorrido durante sua gestão em que um detento considerado perigoso foi transferido para uma unidade prisional mais distante, mas acabou retornando por determinação judicial.

“Não adianta a gente pegar um prisioneiro que está no presídio e a polícia identificar que ele está dando ordem para matar pessoas naquela cidade. Aí o governador, o secretário de segurança, que é responsável pela segurança da população, diz: ‘Tira esse cara daí, porque ele está conseguindo dar ordem para matar os outros’. Leva para o outro presídio que é mais seguro e é distante de onde ele está mandando matar. Então demora pouco tempo, o juiz manda voltar para o lugar que estava”, relatou.

Para o candidato, o poder público precisa ter mais autonomia para definir onde criminosos considerados de alta periculosidade devem cumprir pena, levando em consideração a segurança da população.

“Então, o Executivo vai dizer em qual presídio é mais seguro para a sociedade ele ficar e não o contrário? Então, isso está de cabeça para o ar”, declarou.

Rui também afirmou que o modelo atual pode desestimular as forças de segurança, especialmente os profissionais que atuam diretamente nas ruas e nas investigações.

“Não adianta você manter esse modelo porque desestimula as forças de investigação, as forças militares e quem está na ponta diz: ‘Olha, não adianta ficar prendendo, não adianta fazer nada’”, disse.

Rui defende atuação federal contra facções

Durante a participação no programa, Rui Costa também argumentou que as organizações criminosas mudaram de perfil e passaram a atuar de maneira mais estruturada, ultrapassando os limites dos estados.

O candidato comparou o cenário atual com o período em que viveu na periferia de Salvador. Segundo ele, no passado, a violência estava mais relacionada a grupos locais, enquanto hoje as facções possuem estruturas nacionais e conexões internacionais.

“Eu cresci no morro, não era paz e amor, tinha briga, tinha confusão, mas era gangue de um local. Hoje, no Brasil ou no mundo, as organizações criminosas são internacionais, elas se articulam internacionalmente e nacionalmente”, afirmou.

Diante desse cenário, Rui defendeu uma atuação coordenada entre os governos estaduais e a União. Para ele, não é possível combater organizações de alcance nacional apenas com ações locais.

“Não há como você enfrentar o atacado atuando só no varejo”, declarou.

Rui também elogiou a defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma participação maior do governo federal no combate ao crime organizado.

“É por isso que o presidente Lula está correto. Ou você vai botar o governo federal, as organizações federais para enfrentar o crime, ou você vai identificar o crime se organizando no atacado e aqui os governos estaduais tentando combater no varejo. Não vai resolver”, afirmou.

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