Já era na madrugada de quarta-feira, 7, quando o juiz Paulo Sérgio Barbosa leu a sentença condenatória de Edgar Silva dos Santos e Patrick Ribeiro Tupinambá, julgados pela morte do cabeleireiro Valdir Macário.
O júri popular , que durou quase 16 horas, aconteceu na 1ª Sala do Júri do Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador, após oito adiamentos. Valdir foi executado a tiros na noite do dia 12 de novembro de 2016, no salão de beleza do qual era proprietário, na Avenida Vasco da Gama, na capital baiana.
Patrick foi condenado a 28 anos e sete meses de reclusão por crimes de homicídio qualificado e roubo. Ele foi filmado pelas câmeras de segurança do estabelecimento com uma arma de grosso calibre dando apoio aos tiros, que até os dias atuais não foi identificado pela Polícia Civil.
De acordo com o advogado Fábio Fonseca, seu cliente não tem envolvimento na morte do cabeleireiro. Ele teria ido ao local para praticar um roubo, já que foi informado de que a vítima guardava uma grande quantia de dinheiro no salão.
Com relação ao assassinato, o defensor afirmou que o atirador, um homem identificado apenas como Moreno, agiu por conta própria ao executar Valdir.

“Meu cliente se dispôs a trazer a verdade dos fatos, a verdade do que realmente aconteceu. Ele usou um simulacro a fim de intimidar, pois o ânimo era de roubar, e não de ceifar a vida da vítima”, afirmou Tárcio Oliveira, um dos advogados de Patrick.
“O que a gente viu hoje foi uma decisão que está à margem do que a lei diz. Então, não tem como fazer justiça à margem da lei”, complementa Oliveira.
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Já Edgar Silva dos Santos, apontado como o mandante do crime, foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por homicídio qualificado.
“A gente já fez a interposição do recurso de apelação contra essa decisão. Costumo dizer que no júri ninguém vence e nem perde.
Os sete jurados, três mulheres e quatro homens, decidiram por maioria condenar os acusados. Patrick e Edgar saíram do Fórum Direto para o Presídio, onde cumpriram a pena.
“A gente não merecia menos fazer isso. Esse resultado que foi dado… a gente tinha um pouquinho dessa certeza de que esse dia iria chegar. Foi muita luta”, desabafou a gestora de beleza Ide Macário, irmã de Valdir.
Com relação a outros suspeitos que ainda não foram identificados, Ide disse: “Se foram citados nomes por eles mesmos, então, nada mais justo: se apareceu nome, tem que aparecer certeza. Se aparecer certeza, tem que aparecer justiça.”
Além de Patrick, as imagens das câmeras de segurança do salão registraram também a presença de outro homem, que ainda não foi identificado. Ele seria o executor de Valdir.
Durante o julgamento, foi revelado que o crime foi praticado por Patrick e mais dois homens, identificados apenas pelos apelidos de Moreno e Galego, o mando de Edgar.

A motivação seria vingança, já que, segundo relatos, Valdir estaria encobrindo a relação amorosa do irmão, Reginaldo Macário, com a mulher de Edgar. Ela era cliente do salão.
Na época em que foi morto, Valdir era casado e deixou dois filhos pequenos: um menino de 6 anos e uma menina de um ano e seis meses.