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Responsável por ocupação nega denúncias de taxa e expulsões em prédio

“Nós não vendemos lotes. Eu acredito que essas pessoas podem estar ligadas ao outro movimento e estar fazendo isso para me prejudicar. Até então, eu não sei de ex-moradores do meu movimento. Pode existir um caso isolado, mas talvez nem seja alguém que tenha entrado pela linha correta do movimento”.

Foram com estas palavras que a professora Alessandra Rosa dos Santos, responsável pelo Movimento Social Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e pela ocupação do Infinity Ecologic Residence, prédio localizado na Rua Marquês de Queluz, no bairro Pituaçu, em Salvador, se defendeu das acusações de um grupo de ex-moradores do local.

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Em matéria divulgada pelo A TARDE, nesta terça-feira, 22, os denunciantes afirmaram que a mulher estaria coagindo os ocupantes a pagar uma taxa de R$100 para continuar no imóvel e que, caso não efetuassem o pagamento, seriam expulsos.

“Essa essa taxa, segundo ela informou, seria para colocar tubulação e para e para pagar a luz de lá [conta de energia elétrica], o débito que tá no prédio. Mas, não existe ninguém pagar débito de um CNPJ de empresa”, informou uma ex-integrante do grupo, que disse ter sido expulsa por discordar da forma a qual Alessandra vem conduzindo o movimento.

Cerca de 92 famílias ocuparam o imóvel
Cerca de 92 famílias ocuparam o imóvel – Foto: Arquivo pessoal

Também à frente da Associação Beneficente de Apoio e Inclusão Social Rosa Guia, um dos braços do FNL, a professora Alessandra negou que usou o nome do Ministério Público do Estado (MP/ BA) para induzir os ocupantes a preencher um formulário da entidade social.

“Nem todo mundo que tem acesso ao movimento precisa preencher a ficha da Rosa Guia. Se quiser fazer a ficha, faz. Se não quiser, também não tem por que cobrar”, explicou ela.

Questionada sobre o motivo de os ex-ocupantes terem preenchido a ficha cadastral, apesar de ela afirmar que poderiam ser pessoas infiltradas no movimento, Alessandra respondeu: “se uma pessoa preenche uma ficha e depois descobrimos que ela está infiltrada e não está de acordo com os princípios do movimento, que chegou para derrubar o trabalho, obviamente nós convidamos essa pessoa a sair e cancelamos a ficha”.

Pagamento de taxa

Com relação ao pagamento da taxa e as expulsões de quem não teria condições de pagar, Alessandra afirmou que a denúncia também não procede. “Até então, ninguém é expulso porque não pode pagar. Pelo contrário, a gente acolhe. Muitas vezes, eu mesma, com dificuldade, tiro do meu bolso. Sou professora, não tenho salário por fazer esse trabalho voluntário e, mesmo assim, ajudo”, esclareceu.

“Desde agosto, estamos fazendo uma vaquinha para tentar melhorar a tubulação e outras estruturas. O valor de R$ 100 foi colocado para discussão no coletivo, em assembleia. Tem gente que ainda não conseguiu pagar e não fica sendo cobrada. Quando puder, contribui”, pontuou a gestora do FNL.

Atualmente, segundo os ex-ocupantes, cerca de 20 pessoas ocupam o prédio
Atualmente, segundo os ex-ocupantes, cerca de 20 pessoas ocupam o prédio – Foto: Arquivo pessoal

Ainda durante entrevista ao A TARDE, a professora reafirmou desconhecer o fato de alguém do movimento ter sido expulso da ocupação porque não tinha o valor de R$100 para contribuir.

“Se existe uma pessoa que vive em completa situação de vulnerabilidade social e, mesmo assim, foi colocada para fora, eu preciso saber quem é essa pessoa. Só saber a situação não é suficiente, porque eu não fiz isso”, disse ela.

A taxa, segundo ela, vem sendo cobrada há cerca de dois meses e o valor teria sido definido em comum acordo entre os integrantes do movimento.

“Desde agosto, estamos fazendo uma vaquinha para tentar melhorar a tubulação e outras estruturas. O valor de R$ 100 foi colocado para discussão no coletivo, em assembleia. Tem gente que ainda não conseguiu pagar e não fica sendo cobrada. Quando puder, contribui”.

A ‘mandante’ e os ‘ajudantes’

Na denúncia, os ex-moradores do prédio apontaram dois homens, identificados pelos prenomes Gilmar e Juarez, como auxiliares de Alessandra.

Segundo eles, os dois agiriam a mando da mulher, inclusive, invadindo as unidades e retirando os pertences dos ocupantes que supostamente desobedecem às regras do movimento ou deixassem de pagar o valor cobrado.

“Não procede a informação de que Gilmar ou Juarez estejam agindo a meu mando para expulsar pessoas, retirar móveis ou pertences das unidades. Pelo contrário, nós fomos muito ameaçados por invasões”, defendeu-se a professora. A reportagem não conseguiu contatar Gilmar e Juarez.

Outros citados

Na matéria veiculada na terça-feira, 22, o nome de um homem identificado apenas como Fidel foi citado. Ele foi apontado pelos denunciantes como sendo um dos parceiros de Alessandra.

Nesta quarta-feira, 23, o homem entrou em contato com a reportagem por meio do WhatsApp. Já na manhã desta quinta-feira, 24, pediu para conversar sobre o teor da matéria, que classificou como calunioso. Em uma mensagem, afirmou ainda que, caso não houvesse o diálogo, acionaria a Justiça.

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Na tarde da quinta-feira, a reportagem entrou em contato com ele por telefone e ofereceu espaço para o direito de resposta. Embora tenha conversado com a repórter, o homem afirmou que não autorizada a divulgação do conteúdo da conversa.

Ele informou ainda que encaminharia uma nota ao Grupo A TARDE por meio de seu setor jurídico. No entanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno.

O Ministério Público também foi citado nas duas reportagens. Apesar de a assessoria de comunicação do órgão ter sido procurada por e-mail na segunda-feira, 21, não houve retorno até a noite desta quinta-feira.



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