O ex-candidato à Presidência da República Renan Santos se pronunciou nesta quarta-feira (28) sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), na qual o senador se apresenta como o “verdadeiro presidente do Brasil” e anuncia que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
Em vídeo, Renan criticou a decisão de Flávio de deixar o país após a derrota eleitoral e contestar o resultado das urnas. Para ele, a estratégia anunciada pelo senador não representa uma ameaça concreta à democracia brasileira, mas mantém a família Bolsonaro em uma posição de confronto político com o país.
“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender, no fundo, ao interesse americano aqui”, afirmou Renan, ao defender que a disputa política seja conduzida em território brasileiro.
Renan compara estratégia a experiências internacionais
Durante o pronunciamento, Renan comparou a iniciativa anunciada por Flávio a experiências históricas de lideranças que tentaram organizar movimentos políticos fora de seus países. Ele citou a resistência francesa ao nazismo e a atuação de opositores venezuelanos, como Juan Guaidó, mas argumentou que os contextos são diferentes.
Na avaliação do ex-candidato, a estrutura política do PL continua funcionando normalmente no Brasil, o que, segundo ele, diferencia a situação brasileira dos exemplos mencionados na carta. Renan também destacou que a eleição foi reconhecida por diversos países e questionou se Donald Trump manterá apoio ao senador caso a iniciativa entre em conflito com os interesses econômicos dos Estados Unidos.
Ex-candidato questiona relação com Trump
Renan afirmou que a relação do presidente norte-americano com aliados é marcada por interesses comerciais. Segundo ele, a família Trump busca oportunidades de negócios no Brasil, incluindo setores ligados às terras raras, e poderia deixar de apoiar Flávio caso a iniciativa se tornasse um problema para esses interesses.
O ex-candidato também levantou a possibilidade de que uma oposição liderada do exterior acabe favorecendo interesses norte-americanos em detrimento dos brasileiros. Essas declarações representam a avaliação política de Renan, que não apresentou provas de que a atuação anunciada por Flávio resultará em medidas contra setores econômicos do país.
Flávio diz que liderará oposição do exterior
Na carta divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro contestou o resultado das eleições, alegou irregularidades na votação e acusou integrantes do Judiciário de perseguição política. O senador afirmou que levou a família para os Estados Unidos por considerar que não teria segurança jurídica no Brasil.
O parlamentar também agradeceu ao presidente Donald Trump e declarou que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros para organizar a oposição ao governo Lula. Na mensagem, pediu ainda que a comunidade internacional não trate a situação brasileira como normal.
Renan, por sua vez, afirmou que pretende continuar fazendo oposição ao governo Lula no Brasil e criticou a decisão de Flávio de conduzir sua atuação política a partir dos Estados Unidos.